OPINIÃO

A pátria que Bolsonaro diz defender é a mesma que ele entrega para o capital estrangeiro

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Na semana da independência uso este espaço para lembrar que em oito meses de governo o presidente Bolsonaro já pode se orgulhar do título de governo mais entreguista da história nacional. O patriotismo de goela de Bolsonaro não se encontra com suas práticas políticas, que cada vez mais oferece o patrimônio nacional para grupos estrangeiros, notadamente, os americanos. É só ver o que aconteceu com a Embraer, uma das empresas mais estratégicas e valiosas do país. O governo abriu mão do controle contratual e entregou  a Embraer para a americana Boeing de mão beijada. O preço da transação ficou muito abaixo do esperado, liquidando a maior indústria de engenharia aeroespacial da América Latina pelo mesmo preço que foi pago pelo Hotel Copacabana Palace, por exemplo. E tudo isso sem obrigação de transferência de tecnologia para a indústria nacional.

O governo já sinalizou também com o interesse de ceder parte do território nacional para os americanos: a base de Alcântara, no Maranhão. Em análise no Congresso,  essa medida tem o poder de se tornar o mais agressivo ataque à soberania nacional, pois uma base americana no Brasil traz junto consigo todos os conflitos potenciais que os Estados Unidos podem promover na América Latina e no resto do planeta.

É preciso lembrar que nossa tradição diplomática é de não envolvimento unilateral em conflitos, somos conhecidos pela busca de  soluções pacíficas e mediadas para crises políticas com nossos vizinhos. Pois muito bem, servindo de fantoche da Casa Branca o governo jogou no lixo toda a tradição e interviu, da maneira mais atrapalhada possível, na crise da Venezuela. Onde o Brasil, ao invés de usar da liderança regional que tem para mediar uma solução política, fez coro com Trump ao reconhecer um governo ilegítimo e até ventilou a hipótese de conflito armado com o país vizinho. Um desastre.

Para além disso tudo, tem a privataria de Paulo Guedes que já entregou subsidiárias da Petrobras, todas elas empresas lucrativas, para o capital estrangeiro. Esse rolo compressor  privatista ainda deve incluir a venda de oito refinarias brasileiras e campos de extração de petróleo em águas profundas, tecnologia que a nossa Petrobras é pioneira e líder mundial no setor de óleo & gás.

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Se depender de Bolsonaro seremos o primeiro grande país do planeta a privatizar a distribuição, a geração e a transmissão de energia elétrica com a venda da Eletrobrás, além de abrir mão dos Correios, empresa centenária que integra até as cidades mais pobres e distantes do país. Algo que a iniciativa privada não terá interesse de manter.

Ao falar da Amazônia, o discurso nacionalista de Bolsonaro se desfaz completamente se analisarmos sua atuação política na região. O governo trabalha para flexibilizar a legislação de proteção das terras indígenas garantindo a exploração mineral das áreas, e Bolsonaro já deixou claro que a indicação do seu filho para embaixada em Washington tem por meta aproximar o interesse de mineradoras americanas das áreas demarcadas na floresta.

O que é chocante nesse cenário de entrega e de subserviência é a postura leniente de parte das Forças Armadas, que parece enfeitiçada pelo discurso pseudo moralista de Bolsonaro e seguem batendo continência para as posições entreguistas do governo. Se deixando usar por quem não tem nenhum compromisso com a soberania nacional.  Com Bolsonaro, o Brasil está em liquidação.

 

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