CIDADANIA

A “ressurreição” de Nailde, sobrevivente no bairro mais atingido pela Covid-19 em Natal

Em meio ao caos, a dor e ao desespero provocado pela pandemia do Coronavírus, o potiguar resiste e mantém a esperança. Essa contradição de sentimentos está por trás de histórias como a da dona de casa Nailde Farias, 47 anos, uma das 2.904 sobreviventes da Covid-19, uma doença avassaladora que deixou marcas e dor do luto para amigos e familiares, até o momento, de 1.246 norte-rio-grandenses.

Sem medo de andar nas ruas, Nailde caminhava por todos os lugares meses antes da chegada do vírus ao Rio Grande do Norte. Nos fins de tardes era comum a conversa com os vizinhos. Outra prática de rotina era a ida ao mercado. Como todo bairro carente de assistência sanitária, o Potengi,  onde Nailde e os três filhos, depende dos moradores unidos para realizar atividades. Tudo mudou no início de março, quando o primeiro caso foi confirmado no Estado. A partir dali, o isolamento social passou a ser divulgado por especialistas como a principal forma de prevenção.

O bairro Potengi é o epicentro da transmissão em Natal. Segundo os dados disponibilizados pelo LAIS, já são mais de 1.140 pessoas infectadas na região. Nailde viu a rotina tomar um novo rumo, foi infectada, internada e isolada. Os primeiros sintomas aconteceram repentinamente. Primeiro as dores nas pernas, braços e costas. Depois, febre alta, o que acendeu um sinal vermelho para que buscasse ajuda médica. Na primeira consulta, apenas a suspeita. Orientada, retornou para casa e permaneceu em isolamento.

Em três dias, um novo sintoma, agora o cansaço. Para ela, esse foi o pior de todos. Buscou ajuda médica mais uma vez. Ao realizar o raio-x foi diagnosticada com pneumonia grave. Neste momento, veio a internação e a confirmação da infecção pelo Coronavírus.

Nailde Farias no leito clínico durante internação por covid-19 (Acervo pessoal)

Foram 8 dias respirando com auxílio de um balão de oxigênio. O sentimento era de medo e pavor, o que aumentava pouco a pouco. O maior desejo dela era apenas voltar a respirar como antes. Na família, a situação não era diferente. Os parentes se dividiam entre a preocupação do que a doença poderia causar e a crença de vê-la melhor o quanto antes.

Assim como Nailde Farias, outros potiguares precisaram ser internados. Nem todos tiveram a sorte de encontrar um leito disponível. Atualmente, 82% dos leitos críticos estão ocupados por pacientes que dependem de um respirador para sobreviver. A situação já foi pior e o Estado bateu à casa dos 100% das UTIs ocupadas.

A fé sustentou Nailde até o dia em que recebeu alta. Agora, curada da Covid-19, num Estado que registra 34.983 infectados, ela se vê como nunca tinha se visto antes:

“Depois de tudo, me vejo como uma mulher forte, que sobrevivi a uma doença que não tem distinção social”, afirma.

Ela relata também um desejo, a recuperação dos que estão infectados. E faz um pedido à população, “se prevenir para não arriscar” e descobrir na prática do que a Covid é capaz.

Artigo anteriorPróximo artigo
Allan Almeida
Jornalista potiguar em formação pela UFRN.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *