OPINIÃO

 A TV tá dominada

Band quer armar o cidadão de bem. Silvio Santos discorda. Acha que vai virar um faroeste, mas tem que reformar a previdência para a inflação não voltar. Luciana Gimenez não tá nem aí para o assunto e só faz as perguntas que o presidente quer ouvir. Na Globo, a pauta também é mudar (ou acabar) a previdência, mesmo que o (des)governo e suas trapalhadas garantam boas manchetes.

Não adiantava trocar de canal. A entrevista de Lula só foi ao ar na TV do Reino Unido. Ok. Dizem que está bombando na internet. Mas quem foi lá ver?

Mudando de canal sem mudar de assunto.

O Governo Federal anunciou um plano de mídia que inclui merchandise sobre a reforma da previdência nas principais redes de televisão, exceto a TV Globo. Além dos comerciais nos intervalos, os apresentadores vão defender o fim da previdência durante os programas também. A ação publicitária faz parte da campanha de R$ 40 milhões de reais contratada para defender o indefensável.

O time de mercadores do fim do mundo idealizado pelo Governo tem nomes como José Luiz Datena e Milton Neves, na Band, Ratinho no SBT, Rodrigo Faro, Renata Alves e Anna Hickmann, na Record, além de Luciana Gimenez (olha ela aí de novo), na Rede TV.

O governo explicou que a Globo não faz parte da ação por causa da política comercial que proíbe os apresentadores a fazer propaganda de ações governamentais. Ou, o governo escolheu uma ação que pudesse excluir a Globo do quinhão da publicidade governamental.

O fato é que, mesmo com a birra da Globo com o Governo Bolsonaro, as emissoras de televisão já fecharam com os bancos e financeiras na defesa do fim da previdência, como primeiro passo para chegar ao sistema de capitalização. Talvez nem fosse preciso pagar pelo merchandise, já que boa parte do jornalismo e dos comentaristas econômicos já compraram a ideia.

Não espere ver na TV nenhuma notícia sobre a crise no sistema previdenciário chileno, que usa o regime de capitalização individual desde 1981 e que hoje recebe críticas da Organização Internacional do Trabalho. Quase quarenta anos depois, cerca de 80% das aposentadorias está abaixo do salário mínimo. As promessas daquele tempo não se cumpriram.

Eu podia terminar dizendo, mais uma vez, que não há democracia na televisão. Mas talvez seja melhor sugerir que você busque outras fontes para tentar entender o que está acontecendo ao seu redor. A mídia brasileira tá dominada e o governo não está nem um preocupado com isso.

 

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Jornalista, produtor e aprendiz de fotógrafo

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