OPINIÃO

ABC e América não viram Zé Eduardo…grande novidade!

Essa semana, depois dos cinco gols marcados nos jogos da primeira fase da Copinha pelo Visão Celeste, o garoto Zé Eduardo, 19 anos, passou a ser, evidente, o centro das atenções e de uma polêmica que envolveu ABC e América. O garoto passou pelos dois clubes e ninguém viu o seu talento para fazer gol, coisa que demonstrou na competição. De um lado e outro as desculpas esfarrapadas de sempre.

No América, foi ele que desistiu, e também porque o pai exigiu um contrato antes mesmo dele treinar. Uma coisa tão sem lógica…a não ser que o pai de Zé Eduardo seja algum lunático que fosse chegando no time rubro e já querendo que o clube assinasse contrato. Desculpas que nos fazem rir demais. No ABC, a versão é de que ele não ficou porque era um jogador preguiçoso.

Bom, Zé Eduardo à parte, alguém corra e faça uma entrevista com o professor Roberto Pereira, amante do futebol e futsal, e que já há muitos anos assiste, de camarote, jogadores que passaram por projetos de base em Natal serem ignorados pelos professores nos clubes grandes de nossa cidade, para depois aparecerem atuando em clubes pelo Brasil ou mesmo no estrangeiro, casos muito comuns no futsal, por exemplo.

Historinha de cegueira: ano passado, o ABC estava numa das piores crises de sua história. Rebaixado já para a terceira divisão, até que um dos últimos treinadores contratados – Itamar Schulle -, não tendo opção nenhuma, as “murrinhas” contratadas não queriam mais jogar e já estavam indo embora, ele teve que lançar garotos no time. Entraram Tonhão, Fessin, Matheus Matias, entre outros. O time mudou da água para o vinho, e sob o comando de Ranielle Ribeiro encerrou a participação sem fazer vergonha. Os analistas ficavam admirados e, sem saber, perguntavam, vários deles, como “um time tão bom” estava rebaixado.

Entra novo ano. Esses mesmos meninos iniciam a competição voando baixo. Copa do Nordeste, com premiação de R$ 3,65 milhões. O ABC tinha tudo para vencer a competição e mostrava isso com vitórias convincentes contra Ferroviário de Fortaleza e Vitória da Bahia, mas por míseros R$ 2 milhões (divididos em dez parcelas de R$ 200 mil) e mais alguma coisa (negociação do Matheus), e sofrendo golpe branco de empresário sem vergonha, vendeu seus dois melhores jogadores e ainda perdeu Wallyson para o Vitória.

Resultado: perdeu a Copa do Nordeste  e, na disputa da Série C, quase cai para a D, onde faria companhia ao América. Mesmo assim, essa política gerida pelo mesmo executivo de futebol que está hoje no clube, Giscard Salton, foi elogiada pelos dirigentes e por meganhas da imprensa. Esse ano, com todos os reforços analisados por Ranielle e Salton, garantidos pelos dois, o alvinegro venceu jogando mal ao Globo e, neste sábado, perdeu para o Palmeira de Goianinha de 2 a 1.

Pulando para o América. Desde o ano retrasado, quando Leandro Campos iniciou o trabalho para tirar o América da Série D, os meninos Juninho, Judson, Jadson, Maike Van Van (hoje no Bahia), Thiago e Anthony, entre outros, davam mostras de qualidade técnica. Todos apostavam, até eu,  que eles seriam aproveitados, não foram. O América continuou na Série D. No ano seguinte, a mesma coisa. O mesmo desfile de treinadores ruins, enganadores, e a mesma política de contratações equivocadas, com os meninos de fora e mais um ano de angustiante participação da quarta divisão, que está por vir.

Nesta quarta-feira, o América estreou no Estadual, 1 a 0 sobre o Santa Cruz. No primeiro tempo ainda, o zagueiro Allison machucou. Entra o garoto Jadson, volante ou quarto zagueiro, mas jogando improvisado na zaga de centro. Impecável atuação. Judson, volante, atuou no segundo tempo e mostrou mais qualidade que o titular, Galiardo, trazdido por Luizinho Lopes, do Globo.

Na semana desta estreia, mesmo tendo Jadson, Judson e Juninho, o novo executivo de futebol contratou um volante chamado Marquinho, 19 anos, que nunca atuou seguidamente numa equipe profissional. Quer dizer, ele vem de uma outra base para tomar o lugar de um desses que citei. É assim que funcionam as coisas em nosso futebol.

Bom, Matheus Matias, Fessin, Arês, Erivelton, Tonhão, Judson, Jonathas, João Ivis, Renato, Ayrton Lucas, Maike Van Van, Berguinho, Chiclete, Moisés, Gabriel Verón, Rafinha, Cleiton, Zé Antônio, Denilson, Marcílio, Everton, alguns desses, tenho certeza, você nunca tinha ouvido falar, mas quase todos passaram pelo nosso futebol sem que treinadores, dirigentes, torcedores, analistas da imprensa dessem por sua presença, assim como passaria Zé Eduardo se não fossem os dirigentes e técnico do Visão Celeste, e os gols que ele marcou nessa Copinha.

Os nossos clubes mantém uma política tacanha de bases, onde investimento é gasto e, por incrível que possa parecer, com raras exceções, dirigentes de mentalidade atrasada, que nada sabem de futebol quase sempre mandam e desmandam, com um apadrinhamento ridículo de amigos, e até parentes, em detrimento de talentosos valores que o único defeito, na maioria das vezes, é não serem indicados pelos “amigos do rei”. Uma vergonha, mas basta uma convivência mínima para notar esses absurdos.

+++++

A publicação dos artigos do jornalista Edmo Sinedino e de outros colunistas só são possíveis porque nossos parceiros e assinantes apoiam a agência Saiba Mais. Financie o jornalismo que te representa: www.saibamais.jor.br/assine

Artigo anteriorPróximo artigo
Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *