CIDADANIA

Abrace o seu Romance: estudantes do IFRN compartilham experiências literárias pelas redes sociais

Os momentos de leitura podem ser solitários, mas todo mundo que já leu um bom livro quis compartilhar com outras pessoas a experiência literária. Além de prazerosa, a atividade é importante instrumento pedagógico usado nas salas de aula.

A professora Kalina Paiva, do Campus Natal – Central do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), resolveu ampliar essa troca de experiências literárias por meio do projeto “Abrace o seu Romance”.

Presencialmente, os alunos produziam um diário de leitura, refletindo sobre a obra, mas em agosto de 2021, a iniciativa foi parar nas redes sociais para se adequar ao ensino remoto emergencial.

“Com a pandemia, nós decidimos violar o diário de leitura, partilhando com os leitores nas redes sociais Facebook e Instagram. Para conseguirmos esse objetivo, utilizamos os recursos existentes na própria rede mundial de computadores: programas de edição de áudio e vídeo com o intuito de produção de podcasts, vídeos curtos com depoimentos, vídeos com finalidade publicitária, entre outros”, explica a professora.

O projeto ganhou a adesão do professor Vanilton Pereira, que desenvolve com Kalina a proposta, e de quase 150 alunos e alunas, distribuídos em sete turmas de 3º ano dos cursos técnicos integrados de Edificações, Informática para Internet, Manutenção e Suporte em Informática, Controle Ambiental, Mineração e Mecânica.

A primeira edição do “Abrace o seu Romance” termina em 8 de outubro de 2021, mas ele já foi submetido à Pró-Reitoria de Ensino (Proen), a fim de se torná-lo projeto de ensino do IFRN, o que se justifica pela contribuição na formação de leitores.

De acordo com Kalina, quando o estudante realiza uma releitura e a apresenta, utilizando outras linguagens, é possível avaliá-lo melhor.

“Eles leem e fazem algo com o que leram, gerando um novo conhecimento, um olhar do século XXI sobre outras épocas sem cair em anacronismos. Como trabalhamos argumentação nos terceiros anos, essa devolutiva do processo de leitura me dá condições de perceber se eles organizaram o pensamento, se utilizaram os recursos retóricos que trabalhamos em sala e se demonstram conhecimento de mundo – pré-requisito para o aprofundamento da argumentação”, detalha Kalina, que é doutora em Estudos da Linguagem – Área de Concentração em Literatura Comparada (UFRN), mestre em Estudos da Linguagem e graduada em Letras.

“No Enem, a média nacional gira em torno de nota medianas a baixas e o principal problema é o conhecimento de mundo. Sem esse conhecimento, o discurso se torna raso, carente de um grau de informatividade. A literatura amplia isso.”, completa.

A lista de obras trabalhadas é sempre atualizada a cada versão do projeto. Os títulos são apresentados no primeiro dia de aula, junto com a atividade para que tenham tempo de aproveitar a leitura.

“Não é algo engessado. É uma lista negociável. Inclusive, cinco grupos solicitaram para inserir romances que não estavam na lista. O importante é que seja um romance.”, esclarece, ao dizer que o critério utilizado para a escolha é que obras pertencentes aos quatro séculos de existência do romance se façam presentes na lista, para que entendam como esse gênero literário foi mudando ao longo do tempo, nos períodos de ascensão (Século XVIII), apogeu (Século XIX), (suposta) queda (Século XX) e reascensão (Século XXI).

De acordo com a docente, durante muito tempo a Literatura foi trabalhada de forma estruturalista. O conhecimento exigido dos alunos era ano de publicação, características da estética, informações que representam um saber factual, mas a Literatura vai além.

“O processo de leitura é muito mais profundo. Qual o ganho pedagógico de um aluno quando ele se depara com a história de vida de um jovem lá no século 19? Ele vai perceber que não há diferenças entre os sentimentos e os comportamentos humanos, por mais que a humanidade tenha avançado nas descobertas científicas, continuamos com os mesmos sentimentos, os conflitos de poder, os desejos, o amor e a morte, que nos faz de certa forma ressignificar a vida”, discorre.

Clara Beatris, do 3º ano de Controle Ambiental, acredita que o “Abrace” é uma oportunidade de intensificar o aprendizado.

“Esse projeto é muito especial! Meu grupo ficou com a obra “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen. E sem dúvidas, foi singular para todos nós. A leitura nos permite descobertas e experiências únicas! Foi assim nesse processo”, declara a estudante, que tem 17 anos de idade.

Na opinião de Clara, o livro mais famoso de Austin promove reflexões muito importantes: “Em suma, esse projeto diz sobre, de fato, abraçar a literatura e sentí-la em suas mais diversas dimensões. Não só no tocante a elementos narrativos e construção descritiva, mas sobre encontrar, em cada livro, um universo. E mais ainda, tirar desse encontro noções para a vida.”

Os estudantes abraçaram as seguintes obras:

– Orgulho e Preconceito, de Jane Austen;
– O morro dos ventos uivantes, de Emilly Brontë;
– Dom Casmurro, de Machado de Assis;
– Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis;
– O cortiço, de Aluísio de Azevedo;
– Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto;
– A revolução dos bichos, de George Orwell;
– Admirável mundo novo, de Aldous Huxley;
– Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago;
– O conto da aia, de Margaret Atwood;
– Torto arado, de Itamar Vieira Jr.

 

 

 

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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