CULTURA

Adriano de Sousa revê o sertão no espelho em livro de O.

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Quando o poeta Adriano de Sousa se olha no espelho vê o sertão. À imagem e semelhança de escritores sertanejos que desfilaram pelo chão de terra batida do Rio Grande do Norte, ele tabela com Oswaldo Lamartine, Paulo Bezerra, Eloy de Souza, Zila Mamede, Juvenal Lamartine, Jorge Fernandes, Câmara Cascudo, Muirakytan Macedo, Durval Muniz, Othoniel Menezes e outros atletas da palavra.

O resultado desta peleja está em “Livro de O.”, a quinta obra do poeta, com lançamento nesta quinta-feira (29), a partir das 19h, no espaço Abayomi, no Tirol. O livro sai pela editora Flor do Sal.

A obra é dividida em duas partes e tem o sertão como elo entre autores potiguares:

– A primeira parte é um poema serial com 13 poemas colados a temas da obra de Oswaldo Lamartine e de outros que, como ele, “escreviveram” do sertão. Cada qual no seu quadrado, com sua voz e seu propósito, constroem o lugar e o tema do nosso sertão na cultura”, destaca Adriano de Sousa.

Oswaldo Lamartine tem um espaço generoso no livro. Não à toa, o título da obra exalta o escritor brasileiro que mais se debruçou sobre o sertão no país:

– Osvaldo é do mesmo tope. Admiro a obra e o estilo dele, e o título do livro o exalta. Mas isso é só um contexto. Os poemas são outra coisa, não têm a ver com biografismo. O sujeito deles não é uma pessoa. É um tipo, compósito como o poema serial, que apreende e expressa de modo lírico o universo de Oswaldo e dos demais”, diz.

Natural de Alexandria, município do Alto Oeste potiguar, Adriano é parte deste sertão lírico e real com que conviveu desde a infância. Dos quatro livros anteriores que publicou, todos passearam pelo terreno que, admite o poeta, se confunde com ele mesmo:

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– O poeta sempre nasce do leitor que ele foi/é. O leitor da poesia alheia, o leitor do mundo. É mais um processo do que um evento assinalável no calendário. Publiquei quatro livros, com muito de sertão, porque é o que eu sou”, afirma.

Num país em que o presidente da República insiste em celebrar a falta de cultura, Adriano de Sousa mantêm-se poeta não adoecendo nem fazendo má poesia. Questiono o escritor se a poesia salva:

– Salva-nos dos chatos, que não gostam de poesia”, finaliza.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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