OPINIÃO

Afinal, o que querem os interventores do IFRN?

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Após o MPF notificar, nesta semana, o IFRN sobre o não retorno das atividades de aula em forma remota e não fazer nenhum questionamento sobre as condições para viabilizar esse retorno do ponto de vista do atendimento aos estudantes, o interventor do IFRN Josué Moreira protagoniza mais uma cena deplorável de autoritarismo na reunião do Conselho Superior – Consup, que acontece nesta sexta-feira à tarde.

Ao tentar, a todo momento, responsabilizar os servidores e gestores dos campi perante a sociedade pelo não retorno às atividades, ele omite o fato de que a sua inação e incompetência, nestes 5 meses, deixando de cumprir suas responsabilidades, levou estes mesmos servidores e gestores a buscarem minorar os efeitos da falta de plano de atuação, organizando-se nos colegiados exatamente para planejarem esse retorno.

Quando se acha que o plano será discutido e aprovado, finalmente, o que faz o Pro Tempore? Dá um piti ao vivo, questionando o porquê de não ter ninguém da reitoria na comissão que elaborou o plano. Comportamento típico de aluno relapso, que não faz o dever de casa e quer que o amiguinho coloque o nome para não levar bomba. E, como o boy mimado que, antes de acabar o jogo, pega a bola e leva para casa, porque “a bola é minha”, o interventor afirma: “Sou o presidente deste Conselho, não aceito esse plano sem meu nome, tem uma reitoria paralela aí, vou encerrar a reunião agora.” E se retirou. Os Conselheiros, por unanimidade, decidiram, conforme o Regimento, dar continuidade à reunião, com presidência da conselheira mais antiga da casa, a Profa. Marília Silveira.

Para completar, confirmando o problema de ego mais alto do que as preocupações pedagógicas com nossos alunos e servidores, ainda ouvimos, pelo microfone do Pró-Reitor Interventor de Ensino, sobre os Conselheiros que questionaram a postura deles: “Andreilson e Lobão conseguem retirar a gente do sério”.

Ora, esse trabalho de elaboração de um plano de retorno deveria ter sido desencadeado pela Reitoria, pois é uma ação sistêmica, e não tem ninguém da gestão interventora, exatamente, porque o interventor, imbuído de outros interesses, que não o processo educativo no IFRN, simplesmente se absteve de fazê-lo, interrompendo reuniões do Consup, retirando-se de inúmeras delas, travando pautas importantes a serem discutidas no Conselho.

É importante que se saiba: o retorno às atividades remotas precisa ser planejado dando respostas a vários aspectos, agravados pela situação da pandemia: mapear estudantes do IFRN em todo o RN, sem acesso à internet e às tecnologias necessárias ao acompanhamento das aulas; providenciar acesso para esses estudantes, porque, conforme as diretrizes e o Projeto Político Pedagógico do próprio IFRN, como instituição inclusiva, nenhum aluno pode ficar para trás; formar os docentes; adequar o calendário a novo formato; rever as ementas das disciplinas; redesenhar os formatos dos cursos, pois, sendo nossos cursos de formação profissional, como ficarão as aulas que exigem prática em laboratório, portanto, ensino presencial? Só para citar alguns elementos.

O que fez a reitoria para pensar sobre isso tudo e ao menos rascunhar uma orientação mínima aos campi? Nada!! Mas assinou, provocado pelo Consup, a Portaria nº 1207/2020, que instituía a comissão para elaborar o plano de retorno. Por que, então, o interventor Josué Moreira, deu o piti na reunião de hoje e dela se retirou, dizendo que não aceitava o que foi elaborado?

Parece que algo de muito sorrateiro ronda as práticas da gestão interventora do IFRN. O que será?

 

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