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Álvaro Dias corta cargos de vereadores e reajuste ilegal da tarifa de ônibus é mantido

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A maioria dos vereadores de Natal preferiu defender os interesses das empresas de ônibus e virou as costas para a população na votação que poderia derrubar o reajuste da tarifa de ônibus. Por 14 votos a 8, a tarifa permanece ajustada para R$3,65. O prefeito Álvaro Dias (MDB) fez de tudo para pressionar. Ele exonerou os cargos comissionados de vereadores que votaram, no dia anterior, contra o reajuste, o que levou alguns parlamentares a sucumbir e voltar atrás.

Mais uma vez, o plenário ficou lotado de estudantes secundaristas para acompanhar a votação do decreto que previa revogação imediata do aumento concedido à tarifa de ônibus.

O decreto é de autoria do vereador Sandro Pimentel (PSOL) e tem como base irregularidades na convocação do Conselho de Transporte que autorizou o aumento.

No dia anterior, o parecer contrário ao decreto expedido pela Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) havia sido derrubado pelo Plenário da Câmara, mostrando adesão da bancada governista ao decreto. Mas a matéria não foi à votação por esvaziamento da sessão que gerou falta de quórum.

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A vereadora da oposição Natália Bonavides (PT) denunciou as ausências no plenário como jogada da base governista para manter “o ato ilegal do Prefeito que reajustou a tarifa de ônibus para R$3,65”.

Nesta quarta-feira (30), o decreto entrou em votação sob denúncias de represália do prefeito Álvaro Dias aos vereadores que votaram a favor da aprovação do decreto pela CLJ. O vereador Dinarte Torres, do PMB, alegou que perdeu cargos comissionados na prefeitura devido à posição tomada no dia anterior e comunicou entrada na oposição.

“A partir do momento que pronunciei nessa Câmara que era contra o aumento na tarifa de ônibus eu comecei a receber represálias. Se você não votar a favor dos empresários, a favor do prefeito você vai sofrer, o bairro de Mãe Luiza vai sofrer. Fui procurado por secretários do prefeito Álvaro Dias, me ameaçaram”, disse o vereador no Plenário.

O vereador Sandro Pimentel apelou para que os vereadores fossem sensíveis às causas do povo e não pensassem em cargos na hora de votar sob o ajuste da tarifa. Sob essas acusações a líder do prefeito, Nina Souza (PEN), defendeu que não houve vícios na convocatória do Conselho do Transporte e que o decreto era medida populista visando ano eleitoral.

Votaram a favor do decreto os vereadores Sandro Pimentel, Natália Bonavides, Prf. Eleika, Robson Carvalho, Fernando Lucena, Dinarte Torres, Raniere Barbosa e Cícero Martins; Votaram contra o decreto e a favor dos empresários os vereadores Nina Souza, Ney Lopes Jr, Felipe Alves, Sueldo Medeiros, Ana Paula, Dikson Junior, Preto Aquino, Paulinho Freire, Bispo Francisco de Assis, Aroldo Alves, Luiz Almir, Dagô, Chagas Catarino e Ubaldo Fernandes.

Questionado sobre a derrota do decreto, o vereador Sandro Pimentel lamentou o que chamou de “política clientelista e coronelista”. “Ontem nós conseguimos votos suficientes para aprovar a urgência requerida por mim, mas a tarde de ontem para hoje foram suficientes para a prefeitura puxar as orelhas dos aliados e mudar todo o curso da história”. O vereador reitera as denúncias: “vereadores tiveram cargos cortados, muitos outros ameaçados a perderem seus cargos”.

A batalha pela revogação do valor atual da tarifa de ônibus não se encerra, o vereador promete judicializar a questão. “Se vamos conseguir êxito no judiciário não sei porque lá o SETURN é muito forte, mas vamos fazer a nossa parte”.

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