DEMOCRACIA

Álvaro Dias mente sobre dados de ocupação de UTIs e autoriza desativação de leitos para pacientes Covid-19

O prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB) afirmou nesta terça-feira (14) que o município começou a desativar leitos para pacientes Covid-19 nos hospitais administrados pela prefeitura.

Em entrevista a InterTV Cabugi, ele mentiu sobre dados de ocupação de leitos ao afirmar, por exemplo, que nos hospitais municipal e de campanha apenas 50% dos leitos de UTIs estão com pacientes internados.

No momento em Álvaro Dias concedia entrevista, a plataforma RegulaRN que monitora as internações em leitos Covid-19 no Rio Grande do Norte afirmava que os dois principais hospitais gerenciados pelo municípios tinham 100% dos leitos de UTI e semi-intensiva ocupados.

Ainda assim, o prefeito de Natal anunciou que autorizou a desativação de leitos para pacientes Covid-19 na capital do Rio Grande do Norte porque, segundo Dias, “Natal já virou o jogo contra o Coronavírus”.

– Estamos vencendo a pandemia, os dados estão caindo assustadoramente. Já estamos desativando leitos de Coronavírus em unidades de pronto-atendimento e no hospital municipal. Estamos só com (ocupação de) 50% no hospital de campanha. Nas UTI, dos 20 leitos, apenas 12 estão ocupados”, disse.

Gráfico mostra 100% de ocupação dos leitos críticos de Covid-19 no hospital de Campanha e hospital Municipal de Natal

Em pelo menos duas oportunidades, Álvaro Dias tentou desmentir informações apresentada pela jornalista Emmily Virgílio, que conduzia a entrevista. A primeira quando questionado sobre se não era cedo para comemorar vitória quando o próprio sistema de regulação do Estado afirmava que, naquele momento, 9 pacientes aguardavam na fila de leitos para transferência.

– Você está equivocada”, afirmou o prefeito, desmentido em seguida pelos dados publicados na plataforma RegulaRN.

Outra tentativa de intimidar a apresentadora do telejornal ocorreu quando o prefeito afirmou que a redução na ocupação de leitos era resultado do uso da Ivermectina por parte da população de Natal. A eficácia do medicamento no tratamento para Covid-10 não tem comprovação e seu uso não é recomendado por especialistas na área. Apenas testes invitro foram realizados até o momento.

– Você está equivocada”, disse, pela segunda vez, ao defender o uso de medicação pelos natalenses:

– “Se funciona invitro, deve funcionar em vivo também. Quem ainda não tomou a Invermectina pode tomar. Há comprovação científica invitro. Você acha que essa querda brutal das internações caiu do céu ? Não. É por causa do uso da invermectina. Eu como médico, integrante do comitê científico, que estudei e debati com colegas médicos indico a Invermectina. Tenho plena consciência que a Invermectina previne contra o Coronavírus”, disse o prefeito, indo na contramão do que a comunidade científica defende no mundo.

Sobre a autorização para a reabertura do comércio em Natal, o prefeito disse que a permissão foi baseada em dados científicos, mas não apresentou nenhum deles. Ele disse, porém, que pode voltar atrás caso os protocolos não sejam respeitados pelos empresários. Questionado sobre a ação conjunta dos Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, que acionaram a prefeitura de Natal na Justiça em razão da falta de embasamento científico para a reabertura do comércio, Álvaro Dias jogou a responsabilidade para o comitê científico da prefeitura – presidido por ele – e disse que iria esperar pela decisão judicial.

As diferenças na condução da pandemia do Coronavírus entre a prefeitura de Natal e o Governo do Estado também foram tema de questionamentos. E voltou a cobrar a instalação de um hospital de Campanha pelo Governo do Estado:

– Existem divergências na condução do combate ao Coronavírus. Instalamos o hospital de campanha, o Governo deveria ter instalado dele. Aconselhamos o uso da Ivermectina, o governo não. Mas está comprovado que o Coronavírus tem tratamento”, disse o prefeito, mais uma vez, sem apresentar dados e qualquer comprovação do que defendia.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

1 Comment

  1. Esse sr. que caiu de paraquedas na cadeira de prefeito de Natal, vive creio eu, um dilema interno pessoal ” ser mais incompetente, irresponsável e desqualificado como médico ou como prefeito”, o EQUÍVOCO seu álvaro, com certeza não foi da entrevistadora, o equivocado é o Sr com sua arrogância nata de um coroné que, ao que parece não engoliu até hoje o fato de não ter colocado o filho pra ocupar a “sua” vaga na assembléia legislativa, pra concluir eu digo não votar álvaro trará DIAS melhores!

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