DEMOCRACIA

Álvaro Dias rejeita Nina Souza e aceita imposição de Carlos Eduardo para indicar vice na chapa

Álvaro Dias não quer uma vice que o ofusque”. A frase foi dita por uma fonte com trânsito livre no gabinete do Palácio Felipe Camarão para justificar o motivo pelo qual o prefeito Álvaro Dias (PSDB) rejeitou o nome da vereadora Nina Souza (PDT) como companheira de chapa.

O tucano anunciou nesta quinta-feira (27) que vai disputar a reeleição ao lado da ex-secretária municipal de Tributação Aíla Cortêz. Advogada, ela é prima da ex-primeira dama Andréia Ramalho, esposa do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, responsável pela indicação.

“Encaro minha indicação como uma grande responsabilidade, por representar a tantos anseios e, ainda, a força da mulher na gestão. Estou firme para trabalhar e ajudar na luta que será vitoriosa”, disse Aíla.

Apesar do “apoio”, a relação entre Carlos Eduardo e Álvaro Dias não é boa. O grupo liderado pelo atual prefeito tentou isolar Alves da chapa. Além de Nina Souza, o ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho tentou emplacar a irmã no posto.

Recentemente, o ex-prefeito foi ao twitter e, sem citar nomes, criticou um certo gestor que, segundo ele, estaria “morrendo de medo de sua prática nepotista, de ter nomeado toda parentela ilicitamente, ilegalmente”.

O recado cifrado só faltou vir com nome, endereço e o CEP de Álvaro Dias, denunciado pelo Ministério Público por nomear pelo menos cinco parentes e outras pessoas próximas para cargos na Assembleia Legislativa, no período em que presidiu a Casa.

O prefeito do PSDB lidera as pesquisas de opinião divulgadas até o momento com chances de vencer a disputa ainda no 1º turno e caso vença o pleito se torno um eventual candidato ao Governo do Estado em 2022, cadeira sonhada também por Carlos Eduardo, derrotado em 2018 pela atual governadora Fátima Bezerra (PT).

Durante o anúncio, Álvaro Dias afirmou que a aprovação popular à gestão dele e as obras que ainda estão em andamento o fizeram concorrer à reeleição.

Nina Souza tinha a expectativa de ser indicada ao posto de vice de Álvaro e contava com o apoio do atual presidente da Câmara Municipal de Natal Paulinho Freire. Com as novas regras eleitorais e o fim das coligações na eleição proporcional, Nina terá que melhorar muito a votação que garantiu a ela uma vaga na CMN em 2016.

 Eleita pelo PEN há quatro anos com apenas 2.289 votos, a vereadora ficaria de fora se tivesse concorrido pelo atual partido. Há quatro anos, o PDT elegeu quatro vereadores. O último da lista – Chagas Catarino – obteve 4.810 votos, mais que o dobro da votação de Nina. A situação piora ainda mais porque o puxador de votos do PDT na última eleição – Raniere Barbosa, com 10.510 votos – deixou a sigla e agora veste as cores do Avante. A vereadora Júlia Arruda, com com mais de 5 mil votos nas três eleições consecutivas que ganhou, também já saiu do partido e se filiou ao PCdoB.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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