DEMOCRACIA

Alvo de 5 inquéritos, novo ministro de Bolsonaro quer “corrigir desigualdades regionais”

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Numa cerimônia concorrida e com a presença de todos os chefes de Poderes do país, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) deu posse ao novo ministro do Desenvolvimento Regional, o ex-deputado federal potiguar Rogério Marinho (PSDB).

Ele ocupava o cargo de secretário especial de Previdência e Trabalho desde o início do Governo e, a partir agora, substitui o ex-ministro Gustavo Canuto, transferido para a direção da Dataprev.

Rogério Marinho é o 5º ministro da República, nascido no Rio Grande do Norte, desde o período pós-democratização. Antes dele participaram de governos federais Aluízio Alves (Administração no governo José Sarney e da Integração Nacional com Itamar Franco); Fernando Bezerra (Integração Regional, nos governos FHC e Lula) Garibaldi Alves (Previdência Social, no governo Dilma); Henrique Alves (Turismo, nos governos Dilma e Temer).

O novo ministro do governo Bolsonaro responde a cinco inquéritos, três na Justiça estadual (inq. 3026, inq.4474 e inq. 4484) e dois na Justiça federal (inq 3386 e inq. 4168) do Rio Grande do Norte. As acusações vão de corrupção passiva, ativa, lavagem de dinheiro, crime contra a ordem tributária e falsidade ideológica.

Peso

A posse Marinho contou com nomes de peso da política nacional, como Hamilton Mourão (vice-presidente), Rodrigo Maia (Câmara dos Deputados), Davi Alcolumbre (Senado), Dias Toffoli (STF), além de personalidades locais, como a governadora do Rio Grande do Norte Fátima Bezerra (PT), o senador Jean Paul Prates (PT), o presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), o prefeito de Natal Álvaro Dias (MDB) e a prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP).

Rogério Marinho citou nominalmente a presença de Fátima e Ezequiel entre os convidados. Apesar das divergências ideológicas, disse que “a presença da governadora Fátima Bezerra mostra que a nossa (gestão) será uma política de Estado, republicana”, enfatizou.

Num discurso de aproxidamente 13 minutos, Marinho disse que a missão dele à frente do Ministério do Desenvolvimento Regional será combater as desigualdades regionais:

“Nossa missão é corrigir desigualdades regionais para permitir que os irmãos brasileiros tenham igualdade e oportunidade. Essa é uma missão que cativa cada brasileiro”, afirmou.

Outro nome citado pelo potiguar foi o do ministro Paulo Guedes, fiador da presença dele no governo Bolsonaro:

– Paulo Guedes nos deu régua, compasso, segurança, autonomia e apoio para realizar tarefas”, disse o ex-secretário especial de Previdência e Trabalho, pasta atrelada ao ministério da Economia.

Relator da reforma Trabalhista, que mudou mais de 100 artigos da CLT, o novo ministro do Desenvolvimento Regional defendeu a desburocratização das leis em favor das indústrias brasileiras.

– Nossa indústria precisa que o país avance na desburocratização. Temos a missão de tratar a indústria e a economia brasileira de tal forma a encarar quem empreende no Brasil como parceiro que gera emprego, renda e oportunidade”, afirmou o novo ministro, que ao final de discurso chamou o povo brasileiro de “nosso principal cliente”.

 Bolsonaro elogia novo ministro

O presidente da República Jair Bolsonaro foi só elogios ao novo integrante do seu corpo ministerial. Ele disse que conheceu Marinho em 2007, quando ambos atuavam como deputados na Câmara Federal. E disse que gostaria de tê-lo em algum ministério há mais tempo:

– O tempo passou, (Rogério Marinho) pegou uma difícil relatoria e fez um excepcional trabalho. Devemos a ele a taxa de desemprego não ter explodido. Sempre fiquei preocupado em não tê-lo no ministério desde o início”, disse o presidente.

Trajetória

Rogério Simonetti Marinho (PSDB) começou sua trajetória política no PSB da ex-governadora Wilma de Faria por onde disputou eleição para vereador em Natal. Ele migrou para o ninho tucano só em 2008, quando o partido preteriu sua candidatura e apoiou Fátima Bezerra à prefeitura de Natal. Marinho também foi secretario de Estado nos governos Wilma (Educação) e de Rosalba Ciarlini (Desenvolvimento Econômico).

Como deputado federal, ganhou destaque como relato da Reforma Trabalhista, que alterou 100 artigos da CLT é considerado hoje o maior ataque da história aos direitos trabalhistas no país.

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O próprio Rogério Marinho já reconheceu que a reforma trabalhista foi fundamental para o fracasso da campanha dele à reeleição, em 2018. O tucano foi o segundo candidato que mais gastou no pleito (R$ 1,8 milhão, valor declarado ao TSE), mas amargou apenas a 12ª colocação.

Apesar da derrota, Marinho foi premiado com a secretaria especial de Trabalho e Previdência Social no governo Bolsonaro. O convite partiu do ministro Paulo Guedes.

O ministério do Desenvolvimento Regional é o posto mais alto alcançado pelo deputado potiguar.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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