DEMOCRACIA

Alvo de inquérito criminal, deputado bolsonarista do RN é barrado em prêmio nacional concedido a políticos

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O deputado federal general Girão Monteiro (PSL) é um dos dois parlamentares do Rio Grande do Norte impedidos de concorrer ao já tradicional prêmio nacional concedido a políticos pelo portal Congresso em Foco.

No caso dele, o motivo é o inquérito criminal aberto no Supremo Tribunal Federal que investiga atos e manifestações antidemocráticas financiadas por empresários e parlamentares bolsonaristas. Pelo regulamento do prêmio Congresso em Foco, políticos alvos de acusações ou investigações criminais não podem participar do processo de escolha.

O outro critério, que tirou a deputada Carla Dickson (PROS) da disputa, está relacionado ao tempo do mandato. Para ser votado, o parlamentar precisa ter atuado, no mínimo, 60 dias. No entanto, a deputada está há pouco mais de um mês na Casa, período em que assumiu a vaga do deputado Fábio Faria (PSD), nomeado ministro das Comunicações no governo Bolsonaro.

Inquérito

Deputado eleito pelo Rio Grande do Norte, Girão Monteiro teve o sigilo bancário quebrado em junho junto com outros 11 parlamentares apoiadores de Jair Bolsonaro após investigações preliminares apontarem repasses, com verba do gabinete dos deputados citados, para a empresa de marketing S8 Sampa Agência de Propaganda, do publicitário Sérgio Lima, responsável pela convocação das manifestações antidemocráticas realizadas em 19 de abril que defendiam, entre outras pautas, o fechamento do Congresso Nacional e a volta do Ato Institucional nº 5. Lima é ligado ao Aliança pelo Brasil, futuro partido de Jair Bolsonaro.

O relator do inquérito é o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Girão nega todas as acusações e diz que todas as ações e manifestações de que participou defendem a democracia e a liberdade de expressão.

Natural de Fortaleza, o general Eliézer Girão Monteiro exerce o primeiro mandato na Câmara Federal e foi o quarto deputado mais votado no Estado potiguar em 2018.

RN tem histórico de parlamentares investigados

Essa não é a primeira vez que o Rio Grande do Norte tem um representante barrado na mais importante premiação da política brasileira. Na legislatura passada, os ex-deputados Rogério Marinho (PSDB), Fábio Faria (PSD), Walter Alves (MDB), Felipe Maia (DEM), além dos senadores José Agripino Maia (DEM) e Garibaldi Alves Filho (MDB) também foram barrados em razão de serem alvos, à época, de inquéritos no STF.

Em 2018, no último ano em que exerceu o mandato de senadora da República, Fátima Bezerra chegou a ficar na 6ª e 7ª colocações entre os principais senadores do país, de acordo com avaliação do júri especializado e de jornalistas que cobrem a Casa Legislativa. Já em 2019, o senador Jean Paul Prates apareceu entre os mais votados na categoria especial “Valorização dos Bancos Públicos”.

Na 13ª edição do Prêmio Congresso em Foco concorrem os deputados Natália Bonavides (PT), Rafael Motta (PSB), Beto Rosado (Progressistas), Benes Leocádio (PSC), Carla Dickson (PROS), João Maia (PL) e Walter Alves (MDB), além dos senadores Jean Paul Prates (PT), Zenaide Maia (PROS) e Styvenson Valentim (Podemos).

Como votar

A votação segue até 31 de julho e os vencedores serão divulgados em 20 de agosto. Para votar, acesse aqui.

Além da votação na internet, também há a escolha por um grupo de 21 jornalistas que acompanham o Congresso e um júri especializado. Pela internet você pode votar nas categorias “Melhores na Câmara”, “Melhores no Senado”, “Defesa da Educação”, apoiada pelo Todos pela Educação, e “Clima e Sustentabilidade”, promovida pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS).

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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