CIDADANIA

Anvisa continua proibindo homossexuais de doarem sangue mesmo após autorização do STF

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) ignorou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e continua orientando que homossexuais não podem realizar doações de sangue. O Supremo havia considerado inconstitucionais as normas da Anvisa que dificultam as doações por parte de homens homossexuais.

De acordo com informações de reportagem do jornal Estado de São Paulomesmo com a decisão da Suprema Corte de permitir a doação de sangue, hemocentros de todo o país ainda rejeitam.

Um ofício elaborado pela Anvisa e reproduzido no portal do Ministério da Saúde orienta todos os laboratórios que realizam coleta de sangue a não cumprirem a decisão do STF até que haja “conclusão total”. O acórdão da decisão que permitiu as doações ainda não foi publicado no Diário Oficial de Justiça.

O Estado de São Paulo ouviu integrantes do Supremo e eles avaliam que a decisão vale desde o momento da conclusão do julgamento, no dia 22 de maio.

Para o pedagogo Victor Varela, militante do Coletivo LGBT Leilane Assunção, a decisão da Anvisa é mais uma ação de ameaça à vida.

“Essa é uma demonstração de ameaça a democracia e às vidas e exige da gente ainda mais luta. Desde a década de 1990 que LGBTs lutam por essa pauta e ainda não conseguimos uma vitória de fato. Além de um desrespeito com pessoas LGBTs, essa atitude também afeta muito aqueles e aquelas que precisam de doações e podem morrer esperando. Vamos seguir insistindo para poder doar sangue sem discriminação”, disse.

Hemonorte do RN está em situação crítica

Enquanto a Anvisa e o Ministério da Saúde decidem impedir um determinado segmento da população de realizar doações de sangue, a exemplo de bancos de sangue de todo o país com estoque crítico por causa da pandemia, o Hemocentro do Rio Grande do Norte (Hemonorte) está  convocando doadores e sensibilizando a população do Estado para abraçar a causa da doação para aumentar o número de bolsas de sangue.

No momento, a Unidade conta com pouco mais de 200 bolsas, o que está comprometendo as demandas transfusionais. Para normalizar o estoque, o Hemonorte precisa ter diariamente mil bolsas de sangue prontas para uso.

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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