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Aplicativo desenvolvido na UFRN pode auxiliar gestores na prevenção da Covid-19

Após mais de um mês do registro do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, pesquisadores de diversas áreas científicas têm tentado criar formas de amenizar os impactos da doença por meio de inovações. Entre os resultados dessas iniciativas está a ferramenta Monitorização Epidemiológica Massiva (MEM), desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que tem como objetivo fornecer informações estratégicas por meio do acompanhamento de possíveis sintomas da doença em um aplicativo.

A ação pretende auxiliar gestores da área de saúde a tomar decisões preventivas no direcionamento de recursos do Sistema de Saúde e estará disponível para a população gratuitamente. O projeto é uma iniciativa coordenada pelo físico Efrain Pantaleón junto a uma equipe de professores e pesquisadores de diversas áreas, em sua maioria da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN.

De acordo com Efrain, a plataforma vai funcionar a partir de informações individuais da população, monitorando sobretudo a evolução de sintomas em pessoas inicialmente assintomáticas e orientando ao atendimento mais próximo. “O aplicativo serve para monitorar os sinais e o seu crescimento, medindo padrões de temperatura, pulso e frequência respiratória. Quando as pessoas preencherem, essas informações serão armazenadas em um banco de dados a assim nós poderemos prever através da geolocalização onde estão possíveis transmissores e quais serão as regiões que podem apresentar um grande número de casos”, explica o professor.

Segundo Pantaleón, a ferramenta se diferencia pelo seu caráter preditivo, que viabiliza ações localizadas, otimizando infraestrutura de saúde através da auto verificação. “As próprias pessoas poderão preencher a plataforma MEM e ir identificando seus sintomas, mesmo aqueles que pensam não estar com o vírus por não apresentarem sintomas graves. Caso tenhamos sucesso com o Coronavírus nesse tipo de inovação, podemos futuramente ampliar a ferramenta para gerar soluções para outras doenças”, disse Efrain.

Para a professora Zulmara Carvalho, integrante do grupo de pesquisa que criou a ferramenta Monitorização Epidemiológica Massiva, essa é uma plataforma que pode causar impactos importantes na prevenção da Covid-19, mas depende também da ajuda da população. “A plataforma é um esforço colaborativo e tenta otimizar a gestão de recursos de saúde já tão escassos, isso também pode ajudar a identificar áreas de menor risco, onde o isolamento social não precisa ser rígido e isso pode trazer um fortalecimento da economia, pra isso é necessário haver informação estratégica para tomadas de decisão, um dos objetivos da MEM”, diz a professora.

Ainda de acordo com Zulmara, é preciso criar formas de otimizar a estrutura de distanciamento social para conter o avanço do vírus. “Nós percebemos que muitas das iniciativas que chegavam eram voltadas para o diagnóstico, como um enfermeiro virtual, e pensamos que tão importante quanto o diagnóstico é enfrentar o desafio de achatar a curva de crescimento da doença”, conta Zulmara.

A ferramenta Monitorização Epidemiológica Massiva – MEM deve entrar em funcionamento nos próximos dias e está em processo de registro e liberação pela Superintendência de Informática (SINFO) da UFRN. Seu desenvolvimento contou com uma equipe de 21 pesquisadores, entre graduandos, cientistas, engenheiros, economistas e matemáticos, além da colaboração da farmacêutica e pesquisadora em saúde coletiva Isabelle Ribeiro Mirabal, da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA/UFRN) e da médica cubana Dianelys Pantaleón O’farrill.

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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