CIDADANIA

Curso de formação de policiais no RN inclui debate sobre saúde, racismo estrutural e direitos humanos

A Academia de Polícia Civil do Rio Grande do Norte (Acadepol) realiza, nesta sexta-feira, 16, um curso de primeiros socorros para 20 agentes. A formação tem 8 horas de duração e será ministrada por instrutores da Cruz Vermelha Brasileira, da filial RN. A formação faz parte de um plano que já incluiu conversas sobre direitos humanos e racismo e deve seguir abordando minorias sociais no segundo semestre do ano.

“Essa demanda específica do Curso de Primeiros Socorros foi uma solicitação desta academia a Cruz Vermelha Brasileira e surgiu a partir da constatação que não existia este curso na nossa instituição, apesar de lidarmos com questões de segurança pessoal de pessoas e dos próprios policiais”, explica o delegado Adson Kepler, diretor da Academia da Polícia Civil.

Segundo Kleper, também foram solicitadas capacitações que tratem da saúde dos próprios agentes. Isso ocorre também porque os pedidos de afastamento por motivo de saúde, licenças médicas e aposentadoria por invalidez na corporação potiguar seguem a tendência nacional de crescimento.

A formação desta sexta-feira ainda inclui uma explanação para importância da vacinação para proteger não só o policial que foi vacinado como também as pessoas próximas a serem atendidas, na família e ambiente de trabalho. De acordo com o coordenador, pelo menos 22 policiais civis do estado, dentre cerca de 1.400, alegaram razões de foro íntimo para não tomar a imunização contra a Covid-19.

O curso de primeiros socorros aborda: avaliação de cena; Avaliação primária (ABCDE); Prática de abordagem (Colocação de Colar Cervical / Posição Lateral de Segurança / Rolamento de vítima 90° e 180°); Feridas; Hemorragias (Prática de Hemostasia); Lesões Musculoesqueléticos ( Prática de Imobilização de fraturas); Desmaios / Convulsões; Conceito sobre SBV; Ataque Cardíaco; AVE; RCP (Prática de Reanimação em vítima de PCR); Desobstrução de Vias Aéreas (OVACE).

Policiais debatem racismo estrutural

Dia 9 de julho também foi oferecido ao corpo de policiais civis uma formação que tratava sobre os temas racismo estrutural na segurança pública e perfilamento racial. De acordo com o delegado, a demanda surgiu por iniciativa da Academia, após notícias de vários casos de envolvendo racismo no Brasil e no mundo. Os acontecimentos relacionados à morte do norte-americano George Floyd, morto durante abordagem policial em maio do ano passado, situação que gerou revolta e levou aos protestos do movimento conhecido como Black Lives Matter (vidas negras importam), também lançaram luz sobre a necessidade da formação, indica Kepler.

Segundo o delegado, houve retorno positivo dos policiais e também dos palestrantes, que apreciaram a oportunidade de falar sobre esses também para pessoas das forças de segurança.

“A formação desse tema é muito importante não só no RN como em todo mundo, principalmente nos países e regiões onde houve um processo histórico de colonização e escravidão. [as palestras servem] para ajudar nos problemas de desigualdade racial que podem atingir os negros ou outros grupos vulneráveis, não só na comunidade em geral como dentro das polícias também”, sustenta o Kepler, informando que 38 guardas da Polícia Civil, PM, Bombeiros e Guarda Municipal comparecem ao curso.

A partir de setembro, o ciclo de cursos e palestras continua e deve incluir palestras sobre grupos em situação de vulnerabilidade social, como indígenas, mulheres, pessoas LGBTQIA+ e imigrantes.

 

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