TRANSPARÊNCIA

Após pane no servidor central, CNPq garante que não haverá perdas dos dados da plataforma Lattes e confirma prorrogação de prazos

Um problema técnico no servidor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) provocou um apagão no sistema de dados do órgão, ameaçando o trabalho de pesquisadores e cientistas do país.

No início da tarde desta terça-feira (27), em nota oficial, o CNPq informou que a causa do problema já foi identificada e o conserto iniciado.

O apagão atingiu a plataforma lattes, o sistema de currículos de cientistas e pesquisadores do Brasil. O órgão garantiu, no entanto, que não haverá perda de dados:

– O CNPq já dispõe de novos equipamentos de TI e a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. Independente dessa migração, existem backups cujos conteúdos estão apoiando o restabelecimento dos sistemas. Portanto, não há perda de dados da Plataforma Lattes”, diz o comunicado.

Outra informação divulgada pelo Conselho é de que o pagamento das bolsas implementadas não será afetado.

– Todos os prazos de ações relacionadas ao fomento do CNPq, incluindo a prestação de contas, estão suspensos e, de ofício, serão prorrogados”, afirmou.

O áudio de uma técnica do órgão que reportou o problema a um professor circulou nesta terça-feira em vários grupos de whatsapp com estudantes e pesquisadores universitários. Ela cita dificuldade até de rodar a folha de pagamento:

– Essa semana quase toda vamos seguir com muitos problemas no CNPq. Tirando o site, que está hospedado na plataforma do governo federal, e o SEI, que está hospedado no MCTI, todo o resto do CNPq está inoperante. Sem e-mails, plataformas cadastradas, sem o e-fomento e sem nada. Qualquer coisa que precisarem do CNPq e não tiverem nossos telefones particulares vão ficar sem resolver. Não tem comunicação e até os telefones não estão funcionando. A placa queimou e não tinha backup. A gente não sabe exatamente do backup o que se perdeu, se alguns segundos, minutos, horas ou dias. A folha de pagamento está comprometida porque vai ter que fazer algum processo manual, enfim, está um caos”, relatou.

Para o professor de Economia da UFRN e diretor do Adurn-Sindicato Wellington Duarte, o problema é um efeito da política adotada pelo governo Bolsonaro:

– Esse apagão do CNPq ainda está pra ser averiguado. As fontes indicam que de fato houve uma pane e essa pane muito em função do fato de que os recursos orçamentários encolheram a tal ponto que não manutenção desde 2018. E isso afeta a plataforma lattes, banco de dados, publicações… é de se esperar que o Governo Federal venha dar uma explicação plausível. Até porque todo mundo sabe que o orçamento que seria de R$ 120 milhões foi reduzido a R$ 20 milhões e pouco. Isso prova que um dos efeitos devastadores dessa política contracionista radical desse governo está provocando verdadeiras catástrofes no campo da ciência e da tecnologia”.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) relacionou o apagão ao contingenciamento de gastos que o órgão vem sofrendo. Segundo a ANPG, o CNPq tem o menor orçamento da sua história recente, com apenas 26 milhões para investir em fomento.

– O apagão do CNPq é o negacionismo em estado bruto. A plataforma Lattes está fora do ar desde sexta-feira, especialistas temem que dados de pesquisas sejam perdidos. É um misto de descaso com incompetência, resultado direto o da política de cortes de Bolsonaro”, disse.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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