OPINIÃO

Aprendi com elas

Carlos Fialho escreve às segundas-feiras na agência Saiba Mais

Com minha mãe, aprendi que não se deve desperdiçar comida, que a sociedade pode ser muito cruel com uma mulher separada, que uma mãe é capaz de tirar comida do seu prato para botar no prato do filho, que cães são mais confiáveis e dignos de amor que muitos seres humanos, que não se deve emprestar dinheiro (mas que você acaba emprestando quando vê pessoas que ama em dificuldade), que devemos descobrir nosso lugar no mundo e, quando encontrarmos, devemos relaxar e ser felizes nele. Que as pessoas que amamos podem nos deixar sem aviso prévio e sem que estejamos preparados.

Com Nina, aprendi que é só colar nela que é sucesso, que devemos sempre deixar os objetos no mesmo lugar pra evitar esquecê-los, que ter um pouquinho de vaidade não me faria mal nenhum, que um amor pode ser forte mesmo com interesses e gostos distintos, que cada um pode ter sua individualidade preservada e momentos de atividades independentes do outro, que 1 + 1 pode ser igual a 3.

Com Isabela, aprendi que o amor pode crescer todos os dias, que é possível transmitir valores com naturalidade e sem histeria, seja pelo exemplo, seja pelo diálogo. Que Mendel não passou a vida misturando ervilhas para fazer uma salada, que os “Detetives do Prédio Azul” são muito legais.

Com Diana, aprendi que manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Com Ana Morena, aprendi que trabalho e força de vontade podem nos levar longe.

Com Bia, aprendi que força, talento e personalidade podem ser expressas com doçura e naturalidade.

Com Rayssa, aprendi que mesmo enfrentando dificuldades e episódios tristes, não se deve perder a alegria de viver.

Com Cris, aprendi que uma mulher não precisa de mais ninguém para encontrar forças para ser feliz.

Com Alê, aprendi que sorrir é contagiante.

Com Mimi, aprendi que rir é hilariante.

Com Clotilde, aprendi que podemos ser sempre jovens.

Com Alice, aprendi o que é lugar de fala, sororidade e manterrupting (é assim que se escreve?).

Com Farkália, aprendi o que era mansplaining.

Com Priscila, aprendi que homens não precisam falar sobre feminismo, mas devem sim falar sobre machismo.

Com Sarah Wollermmann, aprendi o que era esquerdomacho.

Com Virgínia, aprendi um monte sobre cultura pop.

Com Deua, aprendi que quem dança seus males espanca.

Com todas e com cada uma, aprendo todos os dias, pois é com grandes mulheres que melhor compreendemos nossa pequenez de homens.

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Carlos Fialho é escritor, publicitário, jornalista e escreve às segundas-feiras