CIDADANIA

Arroz consumido no RN vem do sul e preço deve subir nos próximos dias

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Mais de 90% do arroz consumido no Rio Grande do Norte vem do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A informação é da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte, que explicou, ainda, que o preço do produto nas gôndolas dos supermercados deve sofrer alta de cerca de 30% nos próximos dias, quando os novos carregamentos com preço reajustado chegarem por aqui.

Apesar da alta dos estados do sul e sudeste do país, onde o pacote de cinco quilos do arroz chegou a custar R$ 40, na capital potiguar é possível encontrar o saco de 1Kg com preço médio de R$ 4,69. No entanto, o abastecimento não está normal e já há dificuldade de reposição de algumas marcas. Segundo a associação dos supermercados, nos próximos 15 a 30 dias não deve faltar arroz nos estabelecimentos comerciais, no entanto, se não houver normalização depois desse período, poderemos ter falta do produto.

O preço junto ao produtor da saca de 50kg custa hoje no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, entre R$ 100 e R$ 110. Além disso, também é preciso somar ao seu valor final os custos com a carga tributária e o frete do transporte, o que torna o impacto por aqui tão grande quanto nos estados produtores, onde a escassez e a pressão externa pelo produto é grande. Uma das explicações da alta, é o fato do arroz ter seu preço atrelado ao dólar.

“Todos os produtos da cesta básica com preço atrelado ao dólar devem sofrer alta. Em 2019, o dólar estava na faixa dos R$ 4,00 e hoje está na faixa de R$ 5,00, o que faz com que o produtor prefira vender para o exterior, em vez de comercializar o produto no mercado interno. Por isso, apesar de ser um dos maiores produtores de alimento do mundo, observamos esse aumento no Brasil. Muitos países vêm comprar aqui”, explica o economista Robespierre do Ó.

No sábado (12), a moeda norte americana estava valendo R$ 5,32 e para baixar o valor do dólar, a conta é mais difícil, já que a desvalorização da moeda nacional e alta da estrangeira está associada ao desequilíbrio das contas públicas e às incertezas do mercado. O economista Robespierre do Ó ainda avalia que o auxílio emergencial também elevou o consumo e pode ter influenciado na alta do preço dos alimentos.

“O valor do auxílio demonstra como a população brasileira está carente e se alimentando mal. Com esse dinheiro as pessoas puderam demandar mais produtos da cesta básica. O número de desempregados chegou a casa de 12% em abril e o setor de serviços continua patinando, o que cria muita incerteza para o trabalhador, que não sabe se continuará empregado”, avalia.

Na última pesquisa nacional sobre o preço da cesta básica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o custo no mês de agosto de uma cesta em Natal era de R$ 419,47, o que comprometia 43,40% do salário do trabalhador. Para atender a todas as necessidades básicas da família formada por 4 pessoas, sendo 2 adultos e 2 crianças, o trabalhador deveria receber um mínimo de R$4.536,12, pelo estudo do Dieese.

O valor corresponde a mais de quatro vezes o atual salário mínimo vigente de R$1.045,00. E a distância entre o ideal e a realidade no sustento das famílias brasileiras só aumentou nos últimos anos. “No período de crescimento econômico, tínhamos uma política de salário mínimo que era reajustado de acordo com a inflação mais o crescimento do PIB do ano anterior. Hoje, a política de salário mínimo só repõe a inflação. Assim, somado o desemprego e a política salarial, o trabalhador tem perdido renda e diminuído o consumo”, analisa Robespierre do Ó.

Apesar do recente aumento na safra do arroz de 6,7% em relação ao ciclo anterior, segundo a Conab, o Governo Federal zerou as taxas de importação de 400 mil toneladas do produto até o final do ano, na tentativa de frear a alta. Ainda como resultado da pandemia, a Companhia Nacional de Abastecimento faz uma projeção de crescimento no consumo do arroz por causa do maior número de refeições feitas em casa.

Foto: Mirella Lopes

 

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