DEMOCRACIA

Às vésperas do julgamento que pode anular ação do tríplex, Lula propõe novo contrato social: “quero reconstruir o Brasil com vocês”

O ex-presidente Lula escolheu o Dia da Independência do Brasil para fazer um pronunciamento ao povo brasileiro em que propõe um novo contrato social “que defenda os direitos e a renda do povo trabalhador”. O discurso está sendo interpretado como uma sinalização de que a principal liderança do campo progressista do país pode voltar à disputar a presidência da República, em 2022.

Se as eleições fossem hoje, Lula não poderia se candidatar em razão da condenação, em 2ª instância, pelo processo do apartamento tríplex do Guarujá. No entanto, o Supremo Tribunal Federal está para concluir o julgamento em que a defesa de Lula pede anulação do processo em razão da flagrante parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação do líder petista. Caso o processo seja anulado, o ex-presidente estaria legalmente apto a disputar as novas eleições.

Com várias frase de efeito, convocando o povo para, ao lado dele, reconstruir o país, Lula criticou de forma dura o presidente Jair Bolsonaro:

“Com Bolsonaro, milicianos saíram das paginas policiais para as colunas políticas”, disse num trecho do pronunciamento que durou 23 minutos.

A subserviência de Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos “de forma humilhante” foi apontada em vários trechos do discurso. Para Lula, “Bolsonaro aproveita o sofrimento coletivo para cometer um crime de lesa-pátria”, afirmou.

“Com Bolsonaro, milicianos saíram das paginas policiais para as colunas políticas”

Lembrou ainda a própria trajetória em defesa das liberdades – de imprensa e de expressão – comparando os governos petistas com o atual, hoje recheado de militares e à sombra da ditadura militar:

“Não haverá liberdade se o próprio país não for livre”, disse.

Amparado nos números da tragédia da Covid-19, Lula destacou que a maioria das vítimas do novo Coronavírus no Brasil são pretos e pardos da periferia brasileira. E acusou o atual governo de não dar valor a vida e banalizar as mortes.

“Não haverá liberdade se o próprio país não for livre

Também fez coro com a luta antirracista, citando a morte do ex-segurança norte-americano George Floyd e o genocídio contra os povos indígenas no Brasil.

– É inaceitável que os trabalhadores brasileiros continuem sofrendo os impactos perversos da desigualdade social. Não podemos admitir que nossa juventude negra tenha suas vidas marcadas por uma violência que beira genocídio. É intolerável que nações indígenas tenham suas terras invadidas e saqueadas e suas culturas destruídas. O Brasil que queremos é o do marechal Rondon e dos irmãos Villas-Boas, não o dos grileiros e dos devastadores de florestas”, disse.

Em outro trecho em que sinaliza uma pretensão eleitoral, Lula fala de si mesmo ao afirmar que “reservaram pra mim o papel de figurante, mas assumi o protagonismo pelas mãos dos trabalhadores”, afirma.

É intolerável que nações indígenas tenham suas terras invadidas e saqueadas e suas culturas destruídas”

A venda da Petrobras, o desmatamento da Amazônia e as privatizações em curso pelo governo Bolsonaro também fizeram parte do discurso:

“Bancos públicos não foram criados para enriquecer famílias”, vaticinou.

Num recado direto aos trabalhadores, lembrou da experiência recente dos governos petistas e encerrou o pronunciamento fazendo nova convocação:

Eu sei – vocês sabem – que podemos, de novo, fazer do Brasil o país dos nossos sonhos. E dizer, do fundo do meu coração: estou aqui. Vamos juntos reconstruir o Brasil. Ainda temos um longo caminho a percorrer juntos. Fiquem firmes, porque juntos nós somos fortes.Viveremos e venceremos”, encerrou.

Veja o pronunciamento na íntegra do ex-presidente Lula:

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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