TRABALHO

Assistentes sociais denunciam condições de trabalho e cobram ações de proteção em Natal

O Fórum Municipal dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em Natal divulgou uma carta aberta em que denuncia as condições de trabalho dos serviços de assistência – como CRAS e CREAS – durante o período de pandemia.

De acordo com o Fórum, ainda não foram estabelecidos protocolos de trabalho a serem adotados pelos assistentes sociais durante a crise, que fez com que as demandas de assistência aumentassem. Boa parte dos trabalhadores que se encontram sem emprego e renda ou com salários reduzidos devido as orientações de isolamento social e buscam ajuda junto aos serviços de proteção social.

“O que temos vivenciado são respostas insuficientes do poder público e que não atendem as necessidades da população, Particularmente, aos natalenses. Benefícios eventuais de cesta básica e material de higiene também são escassos; inúmeras dificuldades são postas aos (às) trabalhadores(as) para acesso ao benefício emergencial e, como consequência, é constante a aglomeração de pessoas de todas as idades na frente dos serviços, seja em busca de alimentos para “matar” a fome, seja a procura de alguma informação que o ajude a acessar ao auxílio emergencial”, relata a carta.

A aglomeração de pessoas em busca de serviços em CRAS, CREAS, Cadastro Único, ou abrigos para a população em situação de rua é somada à falta de proteção dos servidores que seguem trabalhando, por se tratar de uma atividade essencial.

“Não possuímos condições adequadas para atender as demandas da população respeitando as orientações sanitárias. Por este motivo, elencamos algumas reivindicações que se fazem necessárias para garantir minimamente a segurança dos servidores e usuários da Política de Assistência Social”, diz o Fórum

Entre as reivindicações dos servidores assistenciais estão a garantia de EPIs, a continuidade do regime de escala presencial, garantia de testes rápidos da Covid-19 para os trabalhadores, adoção do regime de home office para o grupo de risco e o pagamento do adicional de insalubridade em 20%.

Além disso, os trabalhadores também reivindicam a instalação de uma central telefônica disponibilizada para sanar dúvidas de beneficiários do Auxílio Emergencial e a circulação de carros de som nos bairros e comunidades da cidade, alertando sobre os perigos de contágio e formas de proteção ao coronavírus.

A carta do Fórum de Trabalhadores do SUAS denuncia ainda a irresponsabilidade da prefeitura em continuar fazendo a distribuição referente ao programa Sopa Solidária de forma presencial, que causa aglomerações.

“Na contramão das orientações de saúde, a gestão municipal insiste na distribuição de sopa sem qualquer organização e controle de distanciamento nas filas, gerando mais aglomeração, constam apenas nas publicações nas mídias sociais que estão seguindo as orientações das autoridades sanitárias, mas aos vermos as filas nos mostra o oposto”. 

O Fórum encaminhou propostas para que as famílias cadastradas no programa recebam cestas básicas, mas ainda não obteve retorno. O Programa Sopa Solidária havia sido suspenso em 21 de março e retornou as atividades em 8 de abril. Hoje a ação atende às pessoas que são encaminhadas pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) quando em situação de vulnerabilidade nutricional e são beneficiadas cerca de 8 mil pessoas em 14 comunidades de todas as regiões da capital.

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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