TRANSPARÊNCIA

Ataques a especialista da área de Segurança estão partindo de membros da PM  

Desde que teve o nome anunciado para participar da equipe de transição do futuro governo Fátima, o pesquisador e especialista em políticas e gestão da Segurança Pública Ivênio Hermes vem sofrendo ataques pessoais na internet.

Ivênio é fundador do Observatório da Violência Letal Intencional no Rio Grande do Norte (Obvio), entidade que vem realizando um trabalho fundamental na coleta de dados e estatísticas de crimes violentos no Estado, desde o Governo Rosalba.

O Obvio chegou a integrar o corpo da secretaria de Segurança Pública na atual gestão de Robinson Faria, mas optou por sair antes da metade do governo por não conseguir as garantias necessárias para desenvolver o trabalho.

Os ataques pessoais a Ivênio, já se sabe, vêm partindo de oficiais e suboficiais da Polícia Militar que desejam ter representatividade em razão da patente.

No jargão popular é a famosa “carteirada” de quem, por enquanto, representam uma minoria dentro da PM.

Não é segredo para ninguém que a futura governadora Fátima Bezerra terá trabalho na área de Segurança Pública.

E já deu sinais, na montagem da equipe de transição, de que pretende mudar a concepção no setor, focado hoje unicamente em repressão e em mais policiais nas ruas, seja através da PM ou da vinda de agentes externos, como a Força Nacional e de tropas do Exército.

A nomeação da ex-promotora de Justiça Amélie Brenand para coordenar a transição na área de Segurança é um exemplo. Integrante do movimento Juristas pela Democracia, Amélie tem formação humanista e atuação na defesa dos Direitos Humanos. É uma profissional de diálogo.

Ivênio Hemes, que chega nesta quarta-feira à equipe, tem perfil semelhante, além de um acúmulo de dados e estatística que nem o próprio Governo possui.

Formado em arquitetura, Ivênio também é ex-policial e tem no vasto currículo o cumprimento das funções de coordenador de operações especiais em diversos estados do Brasil, instrutor de tiro e de Combate Policial na Academia Nacional de Policia, coordenador de Curso de Formação de Policiais em Brasilia e chefe de Assuntos Internos da Corregedoria de Polícia no Rio de Janeiro.

Durante a campanha eleitoral, sempre que foi questionada sobre Segurança Pública, Fátima aliava a necessidade do aumento do efetivo da PM com investimentos em inteligência, educação, emprego e lazer pela juventude.

Esse é o caminho mais longo e correto, mas para dar certo precisaria ser feito por meio de pacto firmado entre governo, instituições e a sociedade civil.

Após tomar pé da situação na transição, a medida inicial e urgente é apresentar à população o que será feito no setor.

Apostando na transparência, o Governo reduz os riscos de ficar refém, seja dos bandidos ou dos maus policiais.

ATUALIZAÇÃO: Em contato com o portal da agência Saiba Mais no final da tarde desta quarta-feira (14), o setor de Relações Públicas da Polícia Militar rechaçou o envolvimento da PM, enquanto Instituição, nos ataques direcionados a Ivênio Hermes. Para o assessor, a matéria generaliza a acusação, o que levaria a interpretações equivocadas sobre todos os profissionais da PM, além do próprio papel da instituição no Estado. Da parte da agência Saiba Mais em nenhum momento houve a intenção de atacar a Instituição Polícia Militar, mas apontar que os ataques partiram de membros da corporação conforme apuração e checagem da informação.  

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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