CULTURA

Ativista e poeta, Olga Hawes estreia em livro por selo paulista com “Um minuto de Barulho”

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A jovem poeta potiguar Olga Hawes estreia em livro com a obra ‘Um minuto de barulho’ , com previsão de lançameto em breve pela editora paulista Patuá. O projeto tem poemas escritos entre 2015 e 2019, período em que a poeta produziu quatro zines e também participou de uma antologias poética. Um minuto de barulho tem prefácio da poeta potiguar Regina Azevedo e está em pré-venda no site da editora Patuá, com frete grátis para todo o Brasil.

Aos 21 anos de idade, Olga conta que começou a levar a poesia mais a sério ao começar a participar do coletivo de poesia Iapois Poesia, aos 15 anos:

– “Ali, em encontros e saraus que aconteciam no Parque das Dunas, comecei a conhecer outros jovens que escreviam e perceber que as coisas que eu escrevia poderiam se tornar poesia. Começamos então, eu e Regina Azevedo a produzir alguns zines e foi assim que as coisas começaram a tomar forma”, conta.

Militante da Marcha Mundial das Mulheres desde 2014, Olga aborda no livro de estreia assuntos que permeiam a cura, através de versos que passam pela política, pelo fortalecimento de mulheres e pela saúde mental.

“Aprendi que mulheres escrevem, que era algo que eu não entendia pois só conhecemos homens cânones da literatura, mas fomos construindo na prática esse protagonismo feminino, essa ideia de que mulheres podem sim ocupar esse espaço. No livro falo sobre o processo de cura emocional como algo sentimental e coletivo, sobre o corpo feminino no mundo e enquanto mulher, de nossas experiências vivenciadas diariamente”, diz.

Um minuto de barulho é dividido em três capítulos e será lançado pela editora paulista independente Patuá. Sobre essa ponte entre regiões, Olga diz que no estado potiguar faltam incentivos à literatura e para a cultura em geral.

“Aqui as pessoas sobrevivem de escassos editais e ações independentes. No caso dos poetas, temos um esforço coletivo, de um ajudar o outro para existir e colocar seus trabalhos pra frente. De toda forma, no quesito indústria e divulgação, a realidade é aquela de a gente consegue atingir um público maior no eixo sul/sudeste“, desabafa.

Para a jovem de 21 anos, lançar um livro nesse momento é um pouco assustador, mas interessante. Além disso, a obra em pré-venda é um processo coletivo e que contou com a ajuda de diversas pessoas que passaram por sua vida.

“Sempre tive um certo medo de lançar um livro, hoje vejo por exemplo que a minha poesia mudou bastante do tempo em que foram escritas até aqui. É assustador congelar um momento, mas também é legal deixá-lo registrado ali. Uma coisa que aprendi sobre literatura é que ela dá lugar, por meio da palavra, ao que não cabe na palavra. E na minha ainda curtíssima trajetória pela poesia – e pela vida – , encontrei lugar em espíritos parentes. Foram pessoas que me ajudaram a continuar caminhando através das suas experiências e me lembraram da existência de algumas coisas importantes: a beleza, o romance, a potência do corpo e da vida”, relata Hawes.

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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