CULTURA

Avenida 10: projeto de lei torna música de Babal patrimônio imaterial da cidade

Um bonito recorte da infância de um menino está prestes a se tornar patrimônio imaterial da capital potiguar, Natal. A Câmara Municipal aprovou nesta quinta-feira (5) em segunda discussão projeto de lei que reconhece o valor histórico e cultural da música “Avenida 10”, composta por Babal Galvão. O texto segue para sanção.

O PL Nº 194/2019, de autoria da vereadora Divaneide Basílio (PT), justifica que, conhecida também na voz de Geraldo Azevedo, “Avenida 10” é uma das canções sobre a cidade de Natal mais conhecidas em todo o país. O projeto também sugere a construção de um marco e/ou acomodação de placa na avenida que inspirou a composição, no bairro Alecrim.

Durante apresentação da pauta aos demais vereadores, Divaneide ressaltou a importância de valorizar a identidade da cidade e dar visibilidade à cultura, seja reconhecendo como patrimônio, seja incentivando a produção autoral. “Babal por si só já é uma referência na cultura potiguar e “Avenida 10” é de fato um símbolo para a nossa cidade. As terras potiguares têm Babal Galvão e têm história e cultura”, disse a parlamentar.

O cantor e compositor Babal recebeu com entusiasmo a notícia da consagração de sua música, escrita sem muitas pretensões.
“Eu a fiz em 1995 apenas pra registrar os momentos da minha infância e adolescência. Eu nasci e morei lá até os 13 anos de idade, quando ainda era no barro”, resgata Babal, dizendo que o trabalho foi dedicado ao percussionista Mingo Araújo, com quem dividiu parte dessa fase da vida.

Mingo, que iniciou sua carreira tocando em bandas de música e orquestras de frevo, entra na canção com o “ronco do tambor”, quando Babal recorda especialmente os domingos de Carnaval no Alecrim.

A letra segue repleta de lembranças. A frase preferida do autor, “quando não era possível ter sonhos, a gente tinha um e ele girava em torno da avenida 10”, remete a um período sombrio da história, ainda desconhecido pelo menino que ele era nos anos 60.

“Eu lembro que eu ia para a aula e a cada esquina que eu passava da Vila Naval tinha dois policiais e em alguns locais tinha uma corda de ponta a ponta da rua. Eu não sabia o que era aquilo. Depois foi que eu fui entender que era o Golpe Militar de 64”, conta, ao se repreender um pouco quando percebe que está revelando entrelinhas. “Cada leitura é, na verdade, uma releitura. Poesia é assim, não pode entregar”, brinca o compositor.

Babal fala ainda que a relação com a música nem sempre precisa de grande entendimento, que o importante é ouvir e gostar, mas pondera ao dizer que as letras podem “alimentar” e “vestir” outras pessoas. Foi o que aconteceu com Geraldo Azevedo em 1996.

“Geraldo veio aqui e a gente tocou umas músicas novas. Eu tava com o papel no bolso. Quando acabei, ele perguntou ‘Tu canta de novo?’ e depois ‘Posso gravar essa música?’. Eu disse que ele já tinha tanta música boa. Ele olhou pra mim e disse: ‘Todo mundo do Nordeste tem uma avenida 10 na vida, eu também tive uma em Petrolina”, relata Babal, dizendo que o pernambucano se vestiu com a canção, que ganhou o mundo naquela voz.

Ouça Avenida 10, de Babal Galvão:

Veja também fala da vereadora Divaneide Basílio:

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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