OPINIÃO

Baile dos mascarados

Em recente foto mostrada por uma pessoa querida, a filha dela que estava em uma festa de 15 anos usava máscara assim como os outros cinco rapazes e moças ao lado. O que me fez recordar de imagem enviada pela filha Ananda que fazia um curso de cinema também com gente jovem reunida, todos os dez participantes, sem exceção, portando máscaras.

A juventude, justamente faixa menos atingida pelo Covid-19, como atestam números frios, parece ter se conscientizado de maneira consistente sobre a importância de uso de máscaras. Como escrevi aqui em textos passados, o problema maior neste quesito está na faixa entre 45/60, principalmente entre – lá vou eu de novo sendo repetitivo – homens de classe média/alta.

Desta feita não tenho os números do negacionismo e negligência à mão, mas um olhar atento – meu ou de quem me lê – percebe isso de maneira clara. Diariamente observo em lugares públicos homens na faixa citada ostentando orgulhosa ou negligentemente o não-uso da máscara, como uma mostra de macheza (ou masculidade tóxixca mesmo) ou de indiferença com o coletivo.

E mal abro os portais nesta segunda e vejo uma reportagem sobre como o uso obrigatório e consciente de máscaras reduziu contágios e casos em 47% em parte da Alemanha. Fato registrado também em países como China e Japão, que controlaram com máscaras o número de casos, mesmo com super populações.

Na verdade, no Brasil a regra parece ser sim, o uso de máscaras. Considero injusto afirmar vagamente que “o brasileiro não está nem aí”. Observo em ônibus, alternativos, filas de banco e de padarias a maior parte das pessoas usando máscaras. Na verdade, os registros que ouço sobre o não-uso se dá em bolhas sociais ou comportamentais.

Mas, voltando ao raciocínio inicial, fui conferir nos perfis da moçada jovem, amigos e filhos e sobrinhos se essa nova geração investe realmente na proteção e vi que sim, que os millenials levaram a sério o uso da máscara, como devem levar a sério recomendações outras como o uso de álcool em gel. Tanto que encontrei fotos de festas em pequena escala com todos os jovens portanto as máscaras, o que me evocou a frase/título de música de Chico “Baile dos mascarados”. O que me remeteu ao novo normal, termo tão odiado mas que considero útil para entendemos que podemos fazer coisas com restrições.

Entre o isolamento total e a aglomeração irresponsável, parte dos jovens percebeu que dá para ir a uma festa sem aglomerar, sem abraçar e usando máscara o máximo de tempo possível. Nossa geração 45/60, aquela que fala “só saio de casa para beber se for uma grade” e que cultua o meme “se não for para causar nem saio de casa” é mimada e acostumada a viver entre o 8 e o 80. Uma pena. Temos muito, para além de aprender a configurar aparelhos tecnológicos e usar Iphone, a aprender com essa nova geração.

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