OPINIÃO

BBB, 21 edições e o delírio coletivo é Juliette

Em 2021, quando anunciaram os participantes do Big Brother Brasil, tinha uma Juliette, advogada, 31 anos, nordestina e teve gente pensando que era eu! Afinal, ano passado me joguei em um desafio que surpreendeu muita gente: fui candidata a vereadora em Natal pela primeira vez, fizemos uma linda campanha e o retorno de todo esse engajamento foi politicamente positivo. Mas no BBB 21 era ela, Juliette Freire, que caminha para ser a ganhadora de 1,5 milhão de reais, o prêmio do reality show.

Uma mulher inteligente, eloquente, com uma participação marcada pela honestidade com que tratou cada participante. Contudo, desde o começo foi subestimada no jogo, excluída, tratada como menos inteligente, questionada até se possuía algum diagnóstico psiquiátrico. Sobre a experiência de ter sua capacidade intelectual diminuída pelo preconceito das outras pessoas, ela comentou recentemente: “Sou estudada, mas onde chego as pessoas me tratam como analfabeta”.

Apesar disso e talvez também por isso, pela perseguição que sofreu, ela tenha caído nas graças do público, e consequentemente, das marcas, dos artistas, ganhou dezenas de músicas com seu nome, tudo que ela veste se torna um objeto de desejo. E essa fama toda tem gerado também inveja.

Há quem diga estar preocupado com Juliette, como se fosse ser difícil para ela lidar com a repercussão da sua participação no BBB, os 23 milhões de seguidores no instagram e contando, a música que Carlinhos Brown compôs, Juliette Mon Amour, a parceria que vem aí com Chico Cesar, a infinidade de contratos para avaliar. Esquecem que quem entra em um reality show sabe que não sairá anônimo. Quem aceita se expor por 24 horas por dia, durante meses, para o julgamento do país todo, sabe que esta pode ser a maior oportunidade para mudar de vida definitivamente e Juliette está aproveitando com sagacidade essa chance.

Na minha opinião, duvidar da capacidade dela de lidar com tudo isso, bem assessorada e com a inteligência que ela demonstrou ter, é mais uma vez subestimar a sua capacidade de lidar com aquilo para o qual ela sonhou, se preparou e se saiu melhor do que qualquer outro participante em termos de carisma, alcance, rentabilidade, equipe e leitura de jogo, dentro e fora dos estúdios da Globo.

A inveja que eu percebo em relação a Juliette, não é necessariamente querer estar no lugar dela. O sucesso de Juliette é motivo de preocupação, dúvida, desgosto, tem gente chamando de delírio coletivo… A gente encontra no dicionário a definição: “in.ve.ja: sentimento de ódio, desgosto ou pesar que é provocado pelo bem-estar ou pela prosperidade ou pela felicidade de outrem”.

Independente do resultado do programa, Juliette já venceu. Os que falaram mal dela durante o programa, devem estar falando muito bem agora. Quem aqui fora, achava que ela era menos inteligente por se dedicar mais à profissão de maquiadora, do que à advocacia, agora também deve estar falando bem dela. E se estiverem falando mal, tudo bem também, como diz um grande amigo meu: “não existe publicidade ruim, existe publicidade”.

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Aline Juliete
Aline Juliete de Abreu é advogada, Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN), feminista negra e ativista pelos direitos humanos

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