OPINIÃO

BBB não é “uma besteira”; é a cara do Brasil e o que temos para hoje!

Não. Não assisto o BBB – Big Brother Brasil. Nem mesmo tenho tv (isto é, tenho o aparelho, mas para DVD e streaming, sem tvs abertas) e não me interessam reality shows. As únicas duas edições que assisti foram a primeira, pela novidade, digamos, sociológica, com Kléber Bambam como vencedor, e àquela que teve Jean Wyllis como vencedor. As demais ignorei solenemente.

Mas, eu não gostar e não assistir não quer dizer que outras milhões de pessoas não possam ter opinião diferente da minha. Até porque, sejamos sinceros, não assistir BBB não é atestado de cultura ou lucidez, acho pouco provável que quem ignore o programa o faça para assistir Gláuber Rocha ou ler Italo Calvino. Enfim, como rege a democracia, assiste o programa, comenta, vota quem quer. É livre arbítrio que chama.

Dito isto, vamos ao BBB deste ano, em curso na Rede Globo. Não assisti a um só programa, no entanto, sei de tudo que está acontecendo e os nomes dos participantes, por força da penetração que tem nas redes. No Twitter, o assunto é quase onipresente. Facebook e grupos de Zap não deixam por menos. Enfim, já sei, como quase todo mundo, do isolamento e saída do Lucas, das crueldades da Karol Concá, do beijo entre dois homens, da Juliette, da postura do Fiuk, etc etc. Ignorar isso é como alguém que odeia futebol achar que não vai saber quem venceu ou perdeu em época de Copa do Mundo. Inútil, posto que o tema chega à pessoa.

Diante disto tudo, percebo, como sempre acontece, amigos estranhando tanta atenção em torno do programa, como quem o acompanha vivesse numa espécie de bolha de alienação. Calma, que não é bem assim. Muita gente (minha filha Ananda, inclusa) tanto gosta muito do BBB como acompanha as pautas políticas e sociais do país cheio de retrocessos e canalhices. Mas, pensando bem, por que razão achar que o BBB é um mundo á parte? E se o programa na verdade for um retrato do país?

Nesta edição cheia de polêmicas e tensões, pelo que percebi, já tivemos bullying, racismo, homofobia, bifobia, manipulação, debates sobre alcoolismo e relações tóxicas. Todos temas importantes. Todos justamente o que são debatidos nas redes sociais.

Não me parece alienada uma pessoa que debate porque um participante sofre preconceito ou porque razão uma psicóloga em vez de entender as razões de uma outra pessoa se comportar de tal maneira prefere agredí-lo. Na verdade são pautas urgentes. Coisas que acontecem diariamente no Brasil afora.

O que nos leva a crer que na verdade o BBB é como sempre foi um retrato instantâneo no país. Um espelho onde não gostamos de nos olhar.

Não digo que vou assistir ao programa, nem que qualquer pessoa deva fazê-lo, acho até que seria um serviço à civilização se o programa desaparecesse da grade. Mas, considerá-lo uma alienação cor de rosa em meio a um país devastado, isso não. O BBB é o próprio país devastado. Contraditório, agressivo e à deriva.

 

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