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Benes Leocádio, Carla Dickson e general Girão: quem são as viúvas do voto impresso no Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte tem três viúvas do voto impresso defendido por Jair Bolsonaro: Benes Leocádio (Republicanos), Carla Dickson (PROS) e general Girão (PSL). Dos oito deputados da bancada federal potiguar, cinco foram contra e apenas três votaram a favor a proposta, enterrada na Câmara dos Deputados após votação nesta terça-feira (10).

No Estado potiguar, a Proposta de Emenda Constitucional não teve o apoio nem de deputados bolsonaristas, como Beto Rosado (PP). Outros dois parlamentares alinhados ao governo – João Maia (PL) e Walter Alves (MDB) – também não embarcaram na falsa tese bolsonarista de que o voto impresso significaria mais lisura às eleições. Os únicos deputados de oposição – Natália Bonavides (PT) e Rafael Motta (PSB) – mantiveram a coerência e se posicionaram contrários a PEC.

Para que a proposta fosse aprovada, eram precisos 308 votos, mas apenas 229 deputados disseram “sim” à chantagem de Bolsonaro. Outros 218 rejeitaram o projeto que mudava a constituição.

PT, PL, PSD, MDB, PSDB, PSB, DEM, PDT, Solidariedade, PSOL, Avante, PCdoB, Cidadania, PV e Rede foram contra o texto do projeto. Apenas PSL, Republicanos e Podemos orientaram a favor. O Progressistas, que ganhou o Ministério da Casa Civil, liberou a bancada, assim como PSC, PROS, PTB, Novo e Patriota. Apenas PT, PSOL, PCdoB e Rede foram integralmente contra.

Os três deputados da bancada potiguar que votaram em defesa do voto impresso tinham motivações diferentes. A Agência Saiba Mais analisa o voto de cada um deles:

Benes Leocádio (Republicanos) – SIM

Pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte pela oposição, Benes Leocádio seguiu a orientação do partido e reforçou posição pro-Bolsonaro. O “sim” a favor do voto impresso foi um aceno importante ao bolsonarismo potiguar. Tutelado pelo ministro Rogério Marinho (sem partido), aumenta a distância entre ele e o PT.

Beto Rosado (Progressista) – NÃO

Aproveitou que o Progressistas liberou a bancada para tentar resgatar o mínimo de dignidade política. Está no mandato por força de liminar.

Carla Dickson (PROS) – SIM

Ocupa o mandato porque é suplente de Fábio Faria, o atual ministro das Comunicações e o mais bolsonarista dos auxiliares do presidente. É, portanto, refém do bolsonarismo, embora ela e o marido – o deputado estadual Albert Dickson – se comportem como aliados do governo petista de Fátima Bezerra. Só Freud explica. Em suma: o PROS liberou a bancada e Carla votou com a mão no bolso.

João Maia (PL) – NÃO

Seguiu a orientação do partido, mas não se enganem: parece bolsonarista, tem cara de bolsonarista, jeito de bolsonarista e é alinhado ao governo Bolsonaro.

 General Girão (PSL) – SIM

Coerente. Bolsonarista raiz, votou por alinhamento e convicção.

Natália Bonavides (PT) – NÃO

É a deputada potiguar que mais se destaca na oposição ao governo Bolsonaro. No discurso e na prática. Desde que iniciou o mandato, a petista aciona a Justiça ou os órgãos de controle, em média, uma vez por mês contra o presidente ou algum de seus auxiliares. Anunciou o voto com antecedência. Foi coerente: todos os 53 deputados do PT votaram contra.

Rafael Motta (PSB) – NÃO

Seguiu a orientação do partido e também vem se destacado na oposição a Bolsonaro.

Walter Alves (MDB) – NÃO

Seguindo a orientação do partido, Walter Alves votou contra a PEC. Ele tem alternado votações pro-bolsonaro, abstenções e contra, a exemplo da proposta que rejeitou o voto impresso. Em compensação foi a favor da privatização dos Correios. Walter foi o sobrevivente da oligarquia Alves na política potiguar em 2018.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"