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Bex, Demônia, Potyguara, Luaz – a nova cena alternativa natalense vai à praia

O Festival DoSol completou 15 anos mostrando solidez como plataforma para apresentar novos artistas, mesclando isso com nomes conhecidos do cenário alternativo nacional. Shows que dificilmente passariam por aqui sem o festival, levaram um bom público para o Beach Club, na Via Costeira. Entre os destaques da edição 2018, encerrada no último domingo, está a novíssima leva de artistas do cenário alternativo potiguar que, mesmo com pouco tempo de carreira, mostraram qualidade musical e apresentações consistentes, num momento de renovação da cena local.

Prova disso foi a apresentação de Rebeca Gibson, a Bex, cantora e compositora que tem um estilo marcado pela experimentação da música eletrônica, misturada com sua voz potente e muita presença de palco. Se apresentando na cena alternativa de Natal a cerca de um ano, Bex chegou ao palco principal do DoSol com uma performance inspirada que agradou ao público.

Produzindo músicas na sua casa, ela vai lançar seu primeiro álbum, com a versão eletrônica de suas canções, no início de dezembro. “Eu me surpreendo com a resposta boa da galera. Mas isso é um pouco da vontade de ver coisa nova também o que traz tudo isso que estamos vendo”, diz.

De voz potente, Bex bebe na fonte da música eletrônica (foto: Luana Tayze)

Também foi impossível passar sem perceber pela apresentação da banda de punk rock Demônia, na segunda noite de festival. Formada apenas por mulheres, a banda surgiu com a intenção de ampliar a representatividade feminina na cena natalense. Com letras que oscilam entre o deboche sobre conspirações de internet e críticas políticas, Demônia fez um show intenso.

O público que acompanhava parece ter gostado da performance, isso a julgar pelas várias rodas de pogo que rolaram durante a apresentação. Com pouco mais de um ano , Demônia tem em comum, com tantos outros artistas que se apresentaram no DoSol, o fato de terem nascido a partir da experimentação de novos estilos e da ocupação artística de bairros como a Ribeira, em Natal.

“Eu acho engraçado esse momento da música local porque realmente temos uma cena em Natal que não é definida por um gênero musical, mas por similaridades como: ocupar a cidade, ir aos mesmos rolês”, afirmou Karina Moritzen, vocalista da banda.

Essa edição do festival também foi especial para Simona Talma, a cantora, com 18 anos de carreira , se apresentou com duas bandas, Talma e Gadelha e Orquestra Greiosa, recebendo boa resposta do público nas apresentações. Fã declarada do festival, Simona também atuou fora dos palcos, na produção de Luaz, banda que acabou de lançar seu primeiro álbum, “ARAM”.

“Eu sou cria do DoSol, eu era público no começo, antes de atuar no festival, e já era fã. Depois tive a sorte de entrar no grupo com Talma e Gadelha, produzido pelo selo DoSol, e esse ano foi muito especial para mim pois, nessa nova geração, a banda que eu produzi, Luaz, teve sua estreia no festival.”, conta.

Celebrada nas redes sociais, Potyguara Bardo, chegou ao festival DoSol depois de apresentações elogiadas no MADA e Coquetel Molotov. A expectativa criada em torno da apresentação foi bem correspondida pela artista que, pela primeira vez, apresentou o Simulacre, seu primeiro álbum, de maneira completa. Luísa Guedes, de Luísa e os Alquimistas, e a drag potiguar Kaya Conky, que participam de Simulacre, se apresentaram ao vivo com Poty. Um dos pontos altos da primeira noite do festival.

Com músicas cantadas a plenos pulmões pelo público, Potyguara parece ser síntese desse novo momento da música alternativa natalense: transita bem entre vários estilos, construiu carreira na cena independente da Ribeira e busca a experimentação da música autoral, sem aparente reservas para mostrar os resultados desse processo.

“Quando o mundo tá ríspido, as pessoas tendem a se reunir para se apoiarem. E quando o mundo tá assim, a gente tem muito mais para falar sobre. A cidade nunca teve em si uma plataforma muito grande de visibilidade para questões culturais, então espero que essa reunião de bandas sirva de exemplo para que continuemos nos reunindo para fortalecer essa cena de consumo cultural local. É muito incrível o que está acontecendo, nos percebendo sem amarras, livres, e coisas incríveis estão sendo produzidas”, relata Potyguara.

Potyguara Bardo fechou a trinca: MADA (RN), Coquetel Molotov (PE) e Dosol (RN) – Foto: Luana Tayze

Assim como o “ARAM”, da banda Luaz, Simulacre é fruto da Incubadora Dosol, projeto que abre espaço para produzir novos talentos da música local. Para Anderson Foca, idealizador do selo DoSol, que reúne o festival, Centro Cultural e estúdio, Natal não passa por uma renovação, mas um “update” em sua cena independente.

“Os nossos artistas mais, digamos, bombados, ainda estão no auge: o Far From Alaska, Plutão Já Foi Planeta, Khrystal, Camarones, Mahmed. Na verdade, tá rolando uma passada de bastão bem rápida, porque a cidade está entendendo os seus artistas um pouco melhor. E a gente também aprendeu a ouvir. Natal é uma das poucas cidades do Brasil que tem dois super festivais de música nova, que é o Mada e o DoSol. Isso faz muita diferença para quem é guri e quer fazer uma banda, um trabalho artístico. Ele já viu mil coisas e fica mais fácil se inspirar,” afirma o produtor.

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Jornalista e militante de direitos humanos

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