CIDADANIA

Bia Beatriz: delegado vai pedir prorrogação do inquérito e não descarta agressão

As causas que levaram a travesti Bia Beatriz chegar em coma em 16 de agosto ao hospital regional Tarcísio Maia ainda são um mistério para a polícia. Após um mês do caso que comoveu Mossoró, Beatriz continua internada e sem condições de falar. O quadro de saúde dela é estável. Figura bastante popular na cidade, Bia está numa Unidade de Pré Internação (UPI) para o tratamento de uma tuberculose e, em breve, será transferida para o Hospital Rafael Fernandes, onde dará continuidade ao tratamento.

Na manhã de 16 de agosto, vídeos de câmera de segurança do hotel Caraúbas, no centro de Mossoró, mostram a travesti entrando no prédio. Em determinado momento, Beatriz se desequilibra e cai, batendo a cabeça no chão. Embora haja registros visuais que comprovem o lugar, a hora e o momento em que Bia caiu, não se sabe o que ocorreu até ela ser socorrida pelo SAMU e encaminhada ao hospital. Fotografias dela deitada no chão com os olhos roxos e envolta em poças de sangue circularam pelas redes sociais, causando alvoroço na cidade. No pronto-atendimento, médicos constataram vários ferimentos pelo corpo. Bia passou por exames de tomografia que diagnosticaram traumatismo de crânio e lesões na face.

Relembre aqui o caso

O delegado da 2ª DP Valtair Camilo de Paiva, responsável pela investigação, já ouviu cerca de 20 pessoas, entre as que presenciaram o momento em que Bia cai no chão do bar do Hotel Caraúbas, bem como as pessoas que de alguma forma estão envolvidas no caso. De acordo com o delegado, só resta a irmã e a própria Bia Beatriz prestar esclarecimentos.

“Nós já intimamos Suelen a vir depor duas vezes. Na próxima semana vou pedir a prorrogação inquérito para que possamos ouvir a versão de Suelen. Em seguida, quando Bia Beatriz estiver com condições de falar, ouviremos a vítima para só então fecharmos essa primeira parte da investigação que é ouvir testemunhas e interessados”, relatou Valtair Fernandes.

De acordo com o delegado, o prontuário médico afirma que ela chegou epilética, mas a hipótese de agressão não foi descartada:

 “A própria família confirmou o histórico de epilepsia de Bia”, afirma.

Rede de apoio conta com grupo no Whatsaap e solidariedade de coletivos feminista e LGBTQ+

A irmã da travesti, Suelen Silva, segue dando suporte a Bia Beatriz diariamente no HRTM. O grupo “Notícias Bia Beatriz” foi criado no WhatsApp onde Suelen repassa as informações sobre o estado de saúde da irmã, além de pedir ajuda para o tratamento da travesti.

“O grupo do Whatsapp serve para eu pedir ajuda às pessoas e também receber apoio, pois não está sendo fácil pra mim lidar com essa situação de Bia. Ela agora precisa de um traqueostomo de metal para que possa continuar no tratamento”, afirma.

Uma rede de apoio foi criada desde o dia em que Bia deu entrada no Hospital. A Coletiva Motim Feminista lançou uma nota pedindo a investigação do caso. O Coletivo LGBTQ+ Dê’bandeira iniciou uma campanha de arrecadação de alimentos, fraldas geriátricas e toalhas umedecidas para dar assistência à família e a Bia, durante período de internação. Mesmo após a melhora no quadro, o coletivo continua ajudando.

“Eu tenho acompanhado de perto esse caso de Bia, sempre que Suelen precisa de algo nós nos reunimos e providenciamos as coisas. Eu já fiz o pedido do traqueostomo, porque ela só poderá ser transferida para o Rafael Fernandes se tiver com esse aparelho”, relata Joriana Pontes, membro do Coletivo Dê’bandeira.

 

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