CULTURA

Bloco em homenagem a Frida Kahlo solta a voz contra o fascismo em Mossoró

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É irreverente, feminista e popular o bloco em homenagem à revolucionária mexicana Frida Kahlo criado há cinco anos por um grupo de amigas em Mossoró. O Alô Frida desfila pelas ruas da capital do Oeste nesta quinta-feira (28) pelo 5º ano consecutivo. A turma se concentra a partir das 19h, no Memorial da Resistência, com a orquestra Pode Inté For. O carnaval é gratuito, mas as camisetas da edição 2019 estão à venda por R$ 30 e ajudam a pagar os custos com banda e outros perrengues.

A publicitária feminista Camila Paula conta que a ideia das organizadores do bloco sempre foi unir carnaval e política. Por isso, em 2019, o Alô Frida desfila sob o lema “Contra o fascismo não me Kahlo”. É isso mesmo que você está pensando. A mensagem é uma referência direta ao presidente da República Jair Bolsonaro, que já deixou claro em entrevistas e pronunciamentos todo o seu desprezo por mulheres, negros, índios e homossexuais:

– Somos atuantes na política, nosso espaço é permanente, então estivemos no (protesto) #EleNão, lutamos contra o fascismo, em defesa da democracia e por isso dizemos que em 2019 nosso lema é “Contra o fascismo eu não me Kahlo”. Na verdade, a gente vem falando e lutando contra isso todos os dias. E junto à luta contra o fascismo vem também o #LulaLivre porque fazemos a defesa da democracia.

O encontro com a personagem de Frida Kahlo no carnaval foi natural. Como a mexicana também era irreverente e socialista, as mossoroenses logo decidiram homenageá-la, lembra Camila.

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– Há cinco anos a gente conversava sobre como o machismo se expressa ainda mais forte no carnaval com o controle dos nossos corpos e das nossas vidas. Nossa luta é todo dia, somos irreverentes. Então surgiu a homenagem a Frida, que era socialista, comunista, irreverente e tinha tudo a ver misturar as cores da Frida com o carnaval feminista. E nasceu o Alô Frida, que todo ano trata de uma temática ligada à política, a exemplo de pautas como o machismo, o racismo, a LGBTfobia. Nosso bloco é popular.

Música sem opressão

O bloco Alô Frida tem uma característica que o diferencia dos outros blocos de carnaval de Mossoró e de outras cidades. O repertório da orquestra Pode Inté For é minusciosamente selecionado e canções de cunho machista e opressor são devidamente vetadas.

Membro da organização, a feminista Lenilda Sousa destaca a importância da banda ser de Mossoró e composta por mulheres:

“As bandas fanfarras geralmente só possuem integrantes masculinos. Muito bacana a Podintéfor ter topado o desafio que lançamos de integrar mulheres à banda. Nós mulheres podemos tocar qualquer instrumento e fazer o que quisermos. Queremos nos ver na política, assim como na cultura, na folia, dentro da banda, dançando na rua, com autonomia para sermos protagonistas de nossas vidas!”, diz.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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