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#BlocosDaResistência: confira a programação carnavalesca de folia e luta no RN

Que o carnaval é um patrimônio cultural imaterial de todo o Brasil todo mundo já sabe. As cores, glitters, purpurinas e porque não, bandeiras de luta enchem as ruas com sua folia. No Rio Grande do Norte, alguns blocos carnavalescos levam para a festa não só confetes, fantasias e alegria, mas também fazem desse momento festivo um espaço de reafirmar sua luta, resistência e diversidade.

Se você é um dos foliões que gosta de militar, esse é o seu lugar. A Agência Saiba Mais preparou um guia de #BlocosDaResistência para os potiguares, se liga:

Vermelho é a cor mais quente

Baseado no festival Vermelho é a cor mais quente, criado em 2016 e que ganhou maiores proporções em 2018, quando denunciou através da cultura potiguar o crescimento do fascismo no Brasil, em 2020 o festival volta como bloco de carnaval para rasgar a censura. Diante dos ataques à liberdade de expressão, censura a grupos de teatro e polêmicas envolvendo a Secretaria Nacional de Cultura, o Vermelho é a cor mais quente de carnaval é uma organização independente de coletivos, músicos, djs e produtores potiguares que resistem contra tudo isso. “Dialogar sobre a censura no carnaval é debater sobre a arte e a cultura, patrimônios tão ricos do nosso país, é também falar, mesmo em um momento festivo, sobre os ataques do governo Bolsonaro, sobre a apologia ao nazismo presente no governo, sobre a política de abstinência sexual que também é um tipo de censura”, disse a pré-candidata a vereadora de Natal e organizadora do evento, Brisa Bracchi.

De acordo com Brisa, o vermelho também tem o objetivo de reunir estandarte de outros blocos de resistência, fazendo um encontro entre as propostas e organizações que defendem as pautas progressistas.

Se liga: O Vermelho é a cor mais quente acontece nesta quarta-feira (19) e tem concentração no Bar da Meladinha, Beco da Lama, a partir das 18h, com discotecagem de Amanda Lisboa. Como em bloco de folião militante o financiamento será feito através da venda de camisetas.

Acorda Clubber 

A expressão irreverente surgiu justamente para o que ela sugere, acordar as clubbers cansadas de tanto dançar. Criado através da ocupação do Beco da Lama e do Bar da Meladinha com o Sabadaço do Synthpop, que movimentava semanalmente o lugar, o bordão virou bloco e chega a sua 2° edição em 2020. As clubbers passaram a reivindicar o hoje colorido Beco da Lama como espaço cultural ainda antes dele ser revitalizado. Hoje a cena alternativa ganhou um público diverso e fiel ao disco, pop e música eletrônica. “Foi conversado junto à secretaria a importância de termos um polo que celebrasse o crescimento do Beco e das expressões culturais do centro histórico, como a gente faz parte e tem um público que frequenta o espaço em busca do SounDJ também viramos bloco”, conta o produtor cultural, DJ e organizador do Acorda Clubber, Frank Aleixo.

Se liga: Acorda Clubber O Bloco acontece no domingo (23) a partir das 15h no palco do Beco da Lama, entre as atrações estão Blue&Red, PajuxFrank, Ninho de Guabiru e Saionaja.

Bloco Os Lulas e as Marisas

O Bloco Os Lulas e as Marisas surgiu no final de 2017, em Santa Cruz/RN, criado por alguns ativistas sociais, culturais e militantes políticos de diversos partidos de esquerda do município, que tinham o objetivo claro de homenagear o ex-presidente Lula e Dona Marisa Letícia (In Memorian). O bloco assumiu o compromisso de não ser apenas uma festa carnavalesca, mas de usar a data para levantar diversas bandeiras sociais, culturais e de direitos humanos. “Na nossa visão, era necessário criar um bloco para brincar o carnaval e também defender o legado de Lula e Marisa, esta que não era apenas a esposa do ex-presidente, mas uma figura essencial para o Partido dos Trabalhadores e para as transformações que aconteceram no nosso país”, disse um dos organizadores do evento, o militante Ramon Ludovico.

Se liga: O Bloco Os Lulas e as Marisas tem programação na sexta, sábado e domingo de Carnaval, animando o município de Santa Cruz. Confira os detalhes na imagem.

Bloco Maria Bonita

Figura de resistência feminina e nordestina, Maria Bonita dá nome ao bloco organizado pela União Brasileira de Mulheres no Rio Grande do Norte. Para elas, apesar de ter espaço na história, a cangaceira sempre ficou a margem de homens, principalmente seu companheiro, Lampião. “Maria Bonita é uma representação das mulheres nordestinas, mulheres fortes e que muitas vezes são invisibilizadas, mas nós sabemos da nossa luta”, conta a organizadora do bloco, Aparecida Tavares. O Maria Bonita está nas ruas durante o carnaval pela 2° vez e em 2020 homenageia a potiguar Alzira Soriano, primeira mulher eleita para um cargo executivo no país.

Se liga: Maria Bonita sai na Segunda (24) e tem concentração a partir das 16h na Rua Princesa Isabel, em frente ao Bar do Zé Reeira e segue pelas ruas do Centro da Cidade até o Beco da Lama.

Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens 

Criado em 2004, quando Natal nem sonhava em ser um grande pólo do Carnaval brasileiro, o Bloco Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens nasceu para dar início a cultura de blocos de rua em Ponta Negra. O Bloco sai há 16 com seus bonecos característicos e sua diversidade de público. “No nosso bloco há espaço para tudo, todo mundo é bem vindo e essa diversidade está presente até em nosso nome. Os poetas são os boêmios dos bares do bairro, os carecas são os homens mais velhos que perdem os cabelos, as bruxas, as mulheres cheia de magia e o Lobisomem uma lenda do cartão postal morro do careca”, explica o organizador do Poetas, Hugo Manso. O bloco homenageia em 2020 a escritora Nísia Floresta. O evento gratuito e tem seu financiamento através de editais de cultura e venda de camisetas, que esse ano podem ser adquiridas no Praia Shopping.

Se liga:  O Poetas sai as ruas no Sábado de carnaval, com concentração na Praça do Gringos a partir das 16h. Entre as atrações estão Frevo do Xico e Diogo das Virgens.

Troça do Véio Moa

A troça do Véio Moa é um bloco que surgiu em 2019, criado por moradores do entorno da Praia do Meio. Uma proposta alternativa e popular que se manifesta também sobre pautas sociais, neste ano, centrado no apoio à greve dos petroleiros. “Através dessas manifestações culturais carnavalescas nós queremos reforçar nosso apelo contra a extinção da Petrobrás no RN e também reforçar a luta em defesa das minorias”, comenta um dos criadores da Troça, Moacir Soares.

Se liga: A Troça do Véio Moa acontece no Domingo de carnaval e tem concentração a partir das 14h na Av. Três Paus, próximo ao posto de gasolina. Com percurso pela orla até a ponta do morcego com Banda de Frevo.

Alô Frida

Criado em 2015 pelas feministas mossoroenses da Marcha Mundial das Mulheres,o Bloco Alô Frida não Khalo, trás para a folia a luta das mulheres contra o fascismo, patriarcado, machismo e lesbofobia. O Bloco faz uma analogia ao nome de Frida Khalo, símbolo mundial do feminismo e incentivando mulheres a não ficarem caladas diante do preconceito.

Se liga: O Bloco acontece na quinta de carnaval, em Mossoró, e tem concentração a partir das 19h, no Café Artesanato.

Bloco Cordão do Pavão Misterioso

Pelo 5º ano o Bloco Pavão Misterioso une a folia carnavalesca com a literatura de cordel. Com percurso pelo Centro Histórico da Cidade, o Bloco tem como uma das atrações a orquestra feminina Fulô Potiguar.

Se liga: O bloco sai na Sexta-feira de carnaval e tem concentração na Casa do Cordel a partir das 16h. Também anima o bloco o Grupo Folia de Rua Potiguar.

A turma do Boneco

Centenas de potiguares já viram em feiras livres ou nas ruas um boneco de 4 metros de altura do ex-presidente Lula. A ideia surgiu para denunciar a prisão arbitrária, em 2018 e 2019, da maior liderança popular da América Latina. O economista e ativista de Direitos Humanos Roberto Monte foi quem idealizou a denúncia com o espírito lúdico, uma tentativa de aproximar a pauta do cidadão comum. Pois o Lulão segue como personagem principal, agora do bloco “A Turma do Boneco”, que sairá junto a uma das bandas do bloco Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens no sábado de carnaval. Quem quiser ajudar a financiar a Turma do Boneco pode procurar Roberto Monte que ainda tem abadá para vender.

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.