DEMOCRACIA

Bolsonaristas fazem protesto em Natal e pedem retorno do voto impresso

Um pequeno grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fez um protesto em Natal, neste domingo (6), pedindo o retorno do voto impresso para as eleições de 2022. O grupo se reuniu na Árvore de Mirassol e foi organizados por grupos de Direita e extrema-Direita da capital, como Endireita Brasil e Força Democrática do RN. Os manifestantes afirmam que não querem abolir a urna eletrônica, mas aperfeiçoar o sistema para que seja possível fazer a recontagem dos votos, em caso de dúvida sobre os resultados.

Também houve manifestações em Brasília. Um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que torna obrigatória a existência do voto impresso, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no fim do ano passado. Pelo projeto, o eleitor registraria o voto na urna eletrônica e uma impressora geraria o voto em papel. O comprovante não poderia ser levado, mas visto pelo eleitor antes de ser depositado em uma outra urna. Os custos da mudança ficaria em torno dos R$ 2,5 bilhões ao longo dos dez anos.

No mês de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do voto impresso. Em entrevista realizada logo depois do resultado das eleições, o Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, Antônio Spineli, já havia comentado a questão da segurança da urna eletrônica no Brasil, que passou a ser questionada com frequência nos últimos meses.

“A segurança do processo eleitoral tem sido colocado em cheque pelo próprio presidente da República, o que é muito sério. Sabemos que realmente houve tentativas de hackers de invadir os computadores do TSE e que o atraso na publicação dos resultados no primeiro turno se deu em parte devido a isso. Então, há de fato uma preocupação com a segurança das urnas eletrônicas, mas o ministro Barroso garantiu muito enfaticamente que o processo é seguro. Existe uma proposta do presidente da república de, mais uma vez, introduzir o voto impresso. Isso sim tiraria a segurança da eleição e abriria espaço para fraudes. Quanto à segurança das urnas ficou provado, não obstante os ataques dos hackers, que a segurança não foi atingida. O processo eleitoral no Brasil é um dos mais seguros no mundo e o questionamento disso vem, justamente, dos setores da extrema direita que não estão preocupados com o processo democrático. Pelo contrário, estão preocupados em tumultuar o processo democrático”, ressaltou Spineli.

Foto: reprodução redes sociais
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