OPINIÃO

Bolsonaro: 33% de rejeição, 33% de aprovação; Vamos falar sobre os 33% restantes?

Eis que então a pesquisa Datafolha divulgada na última segunda mostra um país dividido quase matematicamente em três. Senão, vejamos; dos entrevistados, 33% aprovam (avaliação ótimo/bom) e 33% desaprovam (ruim/péssimo) o Governo Jair Bolsonaro. Já 31% consideram o governo regular enquanto 2% não sabe responder, o que na prática os coloca justamente no Item “Regular”, somando assim os 33%.

Portanto, um país fraturado em três.

Em abril, quando foi realizada a pesquisa anterior, os índices de Ruim/péssimo somaram 30%, contra Ótimo/bom com 32% e Regular: 33%. Considerando a margem de erro rigorosamente a mesma coisa. Nem surpreende, afinal, de abril para julho o Governo nada fez de novo ou positivo e tanto para detratores como para apoiadores foi coerente na pauta que mantém, incluindo aí as de obscurantismo e violência.

Sabemos, portanto, que os apoiadores de Bolsonaro são um terço do país, com possibilidade de diminuição com a continuidade do escândalo envolvendo Sérgio Moro e da crise econômica, mas que não vai para patamares abaixo dos 20%. Que correspondem a 1/5 da população brasileira que compactua com as pautas do Governo, incluindo aí as bizarrices (pessoas que acreditam que “menino veste azul e menina veste rosa”, que querem armar a população, terraplanistas etc). Tolice achar que essas pessoas (que sempre gravitarão entre 20% e os 33% atuais) mudarão de ideia em relação a quem eles chamam de “mito”. Fazem parte desse pessoal os chamados “bolsominions” de redes sociais.

Temos também os 33% que rejeitam o Governo e possivelmente continuarão rejeitando ainda que a Economia melhore e que o país volte a ter estabilidade política. É um eleitorado progressista ou simplesmente republicano/legalista, que não aceita o flerte do bolsonarismo com o fascismo e defende as pautas identitárias que o presidente tenta combater.

Restaram então os outros 33%, o terço restante.

E, para usar um termo popular, é aí que a porca torce o rabo.

Porque trata-se de uma gama do eleitorado totalmente pendular. E diversificada. Entre esses milhões de pessoas que consideram o governo do “mito” ou do “Bozo”, dependendo do prisma, há gente que votou nele e também em Lula e em Dilma anos atrás. Não são pessoas progressistas e muitas delas tem tendência conservadora. Mas, não tem vocação para fascismo/totalitarismo e são capazes de entender pautas identitárias e de Direitos Humanos se devidamente informadas sobre elas.

Traduzindo: Trata-se justamente daquele eleitor circunstancial, que pode ter votado em Bolsonaro por “querer algo novo” ou “vai que ele melhore o país, que do jeito que está não dá”, assim como pode ter votado anteriormente em Lula porque “agora é Lula” ou “é hora de dar uma chance para alguém que veio do povo”. Nos estados, esse eleitor pode votar em alguém do DEM ou do PT (alguém aí lembrou de Rosalba Ciarlini e Fátima Bezerra?) se tiver empatia pelo/pela candidato/a, independente de partido, ideologia ou mesmo programa de Governo.

Esse pessoal não é “bolsonarista”, muito menos “bolsominion”, por ter votado em Bolsonaro. Como não se tornou petista/progressista por um dia ter votado em Lula e em Dilma. É um equívoco da militância esquerdista rejeitar esse eleitorado e preferir vendetta (Eu avisei) a diálogo.

Para um terço do país achar Bolsonaro “regular” em seis meses é porque se viu desencantado com o que esperava dele. Esse pessoal não queria se armar nem é contra os direitos LGBT. Queria apenas que a Economia melhorasse e viver com mais segurança, acreditou no canto da sereia/mito por cansaço natural com o PT (no governo de 2002 a 2016), vontade de mudar, fluxo histórico, influência da mídia e das fake news, força do Zap.

Vendo que nem a Economia melhorou, nem os empregos voltaram e a insegurança não diminuiu, o encanto se desfez e Bolsonaro voltou a ser um político comum, incapaz. Sensação que este eleitor já teve com Dilma, de biografia e espectro político opostos.

Sem dialogar com esse eleitorado, corre-se o risco de perdê-lo para projetos políticos outros, da mesma Extra-Direita, de Direita Moderada, de Centro-Esquerda, enfim.

Política é diálogo, não vingança pessoal e chacota. A pesquisa pode estar mostrando isso e que há um vasto terreno para se trabalhar politicamente. Com diálogo e nas bases. Ouvindo, mais que falando. Compreendendo, mais que acusando.

Sobre a pesquisa DataFolha

A pesquisa foi realizada nos dias 4 e 5 de julho com 2.086 entrevistados com mais de 16 anos, em 130 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro.

 

 

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