DEMOCRACIA

Bolsonaro avança sobre Nordeste, onde quase 60% das famílias receberam auxílio-emergencial

Quase 60% das famílias nordestinas acessaram o auxílio-emergencial no mês de julho. O benefício, que varia de R$ 600 a R$ 1,2 mil, é um socorro financeiro aprovado pelo Congresso Nacional para os trabalhadores autônomos e desempregados impossibilitados de trabalhar durante a pandemia.

O Rio Grande do Norte foi o estado da região onde menos famílias acessaram o benefício. Ainda assim, 55,3% dos lares tiveram algum parente que recebeu o auxílio, uma renda média de 925.

Na outra ponta está o Maranhão, onde 65,8% da população acessou a verba, com um rendimento médio de R$ 1.034 por família. Alagoas (62,8%), Piauí (61,7%), Bahia (59,8%), Ceará (58,8%), Pernambuco (57,9%), Paraíba (57,1%) e Sergipe (56,5%) completam a lista.

Na média geral do Nordeste, 59,8% das famílias tiveram contato com a verba por meio de algum familiar. Já em nível nacional, o auxílio chegou a 44,1% dos domicílios. O rendimento médio proveniente do benefício nos domicílios foi de R$ 896 em julho.

Proporcionalmente, a região Norte foi quem mais acessou a verba. Ao todo, 61,7% dos lares contaram com algum morador beneficiado.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (20) pela pesquisa nacional por Amostragem de Domicílios do IBGE voltada para dados sobre a Covid-19. Ao todo, 64 milhões de pessoas receberam as cinco parcelas.

Desde o início do pagamento do auxílio-emergencial, Jair Bolsonaro avançou sobre a região Nordeste. Em 25 de junho visitou o Ceará. Um mês depois, em 31 de julho, cumpriu agenda presencialmente na Bahia e no Piauí. Na segunda-feira, em 17 de agosto, esteve em Sergipe. E ainda participou em 13 de julho de uma videoconferência para a inauguração de uma obra em Alagoas, representado presencialmente pelo ministro do Desenvolvimento Regional, o potiguar Rogério Marinho. Nesta sexta-feira (21), Bolsonaro cumpre agenda em Mossoró e Ipanguaçu, interior do Rio Grande do Norte, e já prometeu “para os próximos dias” uma visita a Paraíba. Apenas Maranhão e Pernambuco ainda não têm datas confirmadas ou prometidas na agenda presidencial

Popularidade de Bolsonaro está a reboque do auxílio-emergencial

O auxílio-emergencial está sendo apontado como o principal motivo do aumento da popularidade de Jair Bolsonaro, especialmente entre a população mais pobre.

Segundo números apontados pelo Instituto DataFolha e divulgados em 14 de agosto, foi exatamente no período em que a população acessou o benefício que a rejeição ao presidente diminuiu e a aprovação ao Governo aumentou.

Nesta sexta-feira (21), Bolsonaro cumpre agenda no Rio Grande do Norte, onde estão previstas a entrega de 300 moradias e cinco veículos em Mossoró, além de poços de dessalinização, abertura de créditos e medidas de ampliação do acesso à internet em Ipanguaçu.

Embora venha capitalizando pessoalmente o pagamento do auxílio-emergencial, via Caixa Econômica Federal, Jair Bolsonaro se posicionou contra o pagamento no início e, quando recuou, defendeu que o valor máximo das parcelas chegasse a R$ 200.

Parlamentares de oposição na Câmara e no Senado se articularam para que a parcela mínima paga fosse de R$ 600 e R$ 1,2 mil, no caso de famílias chefiadas unicamente por mulheres.

Foto: Marco Corrêa / PR

Na primeira etapa do auxílio, estava previsto o pagamento de apenas três parcelas. Mais uma vez, Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes tentaram evitar a continuidade do repasse, mas o Congresso aprovou a continuidade dos repasses no mesmo valor por mais dois meses.

Jair Bolsonaro percebeu a relação direta entre o auxílio e sua popularidade. Uma ala do governo já defende que o pagamento seja mantido até que o ministério da Economia coloque em prática o Renda Brasil, que unificará programas de transferência de recursos federais substituindo o Bolsa-família, uma das marcas dos governos petistas.

Na quarta-feira (19), durante agenda no Palácio do Planalto, o presidente defendeu o pagamento “talvez até o final do ano” com uma redução no valor:

– Os 600 pesam muito para a União. Isso não é dinheiro do povo, porque não tá guardado, isso é endividamento. É isso mesmo? Tô falando certo? Acho que tô, né? [olhando para Paulo Guedes] Pra não me criticarem depois. E se o país se endivida demais, você acaba perdendo sua credibilidade para o futuro. Então R$ 600 é muito. O Paulo Guedes… Alguém falou da Economia em R$ 200. Eu acho que é pouco. Mas dá para chegar num meio-termo e nós buscarmos que ele venha a ser prorrogado por mais alguns meses, talvez até o final do ano — disse Bolsonaro.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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