OPINIÃO

Bolsonaro e Auxílio Emergencial: A mão que afaga é a mesma que apedreja

Leio no noticiário neste final de semana que o desgoverno federal e o despresidente deverão anunciar na terça-feira a prorrogação do auxílio emergencial por mais quatro meses, até março de 2021, portanto, mas, com redução no valor de 600 para 300 reais.

Hummmm… então quer dizer que quem vinha recebendo 600 e fazendo, portanto, orçamento de gastos dentro deste valor, terá de se contentar com metade em um período onde certamente o Brasil não está dentro da tal “normalidade” econômica que sonha Guedes, Bolsonaro e o “setor produtivo” ?

Isso não vai dar certo. E não precisa estudar Economia em Chicago para isso. Basta frequentar supermercados, padarias e filas de lotéricas para saber no que isso vai dar.

Bolsonaro, liberal circunstancial na campanha a reboque do Posto Ipiranga, mas que não tem qualquer ideologia política ou econômica a não ser impedir os filhos de serem presos,  se encantou com a popularidade e aprovação subindo com o auxílio emergencial.

Que, ironicamente, era tudo o que o bolsonarismo raiz condenava, com seu ódio à “esmola do bolsa família” e amor hipócrita à tal da meritocracia. Mas, isso não vem ao caso por que o bolsonarismo raiz é feito de ginásticas argumentativas e passadas de pano, com se diz.

O que vem ao caso é que o desgoverno Bolsonaro não vai conseguir manter o auxílio emergencial até a eleição de 2022, que é a única coisa (fora o filho Flávio não ser preso) que Bolsonaro pensa.

O desgoverno entrou em um 8, como se diz popularmente. Ou adere de forma apaixonada aos auxílios de renda direta que tanto criticava e terá de manter isso até meados de outubro de 2022, para desespero de Paulo Guedes, ou estanca isso e paga o preço de ver a provação cair.

Quem diria que com tantas “pautas de costumes”, “guerra cultural”, Olavão e etcs e tais, Bolsonaro se veria com um ano e meio de (des)governo refém de um programa que seu entorno classificava como assistencialista. O Bolsa Família, que ele pretende reformular e mudar de nome, mas, na prática manter.

Até porque se extinguí-lo, e ao auxílio emergencial, verá a tal aprovação recorde evaporar. Não é só o norte-americano que vota “com o bolso”, não. O brasileiro também. O que explica a reeleição de FHC em Plano Real bem sucedido e depois a reeleição de Lula e de de Dilma em tempos em que, como disse Guedes, “empregadas domésticas iam a Disney” (palavras dele, não minhas, como diria Pilatos).

E por falar em lavar as mãos, resta saber se Bolsonaro vai abdicar dessa renda direta à população mais carente, que pode garantir a sua reeleição ou uma desaprovação que lhe custe o mandato, já que em todas as áreas de gestão é inepto, tosco e desinteressado.

Augusto dos Anjos já cantou em seu soneto mais famoso que “a mão que afaga é a mesma que apedreja”. É isso. Quem viver, verá. Nas urnas.

 

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