TRANSPARÊNCIA

Bolsonaro ironiza massacre de 57 presos no Pará

Um dia após a maior chacina do ano em presídios do país, o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro ironizou o episódio que resultou em 57 mortos no Pará:

“Pergunta para as vítimas que morreram lá o que eles acham, depois que eles responderem eu respondo a vocês”, disse.

A declaração vem na esteira dos ataques que Bolsonaro fez ao presidente da OAB e ao pai dele, desaparecido durante o regime militar, e ter negado o assassinato do cacique Emyra Wajãpi, morto por garimpeiros no Amapá.

O massacre no Pará aconteceu em um presídio de Altamira nessa segunda-feira (29). A unidade prisional já havia sido palco de uma rebelião no ano passado, que deixou sete pessoas mortas. Agora, no presídio, 57 presos morreram, 16 deles decapitados, após rebelião.

Um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) qualificou as condições da unidade como “péssimas”, além de estar com sua capacidade esgotada, abrigando 363 presos, mais que o dobro da capacidade, de 163 vagas.

Familiares já haviam alertado

Dois meses atrás, no dia 20 de maio, uma manifestação de familiares de presos, na frente do Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará, alertava para superlotação e riscos de um possível confronto entre integrantes de facções rivais, o Comando Classe A (CCA) e o Comando Vermelho (CV), que tentam controlar o presídio.

Questionada, a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) afirmou, em nota, que possui “protocolos para a maioria dos casos, mas neste específico, não tínhamos informações sobre um ataque dessa magnitude”.

Porém, em maio de 2019, a própria Susipe reconheceu que recebeu dos familiares um pedido de transferência dos presos de facções rivais.  O órgão se recusou a atender a demanda.

“Devido à divisão dos internos, controle das ações e ações para prevenir atos de violência dentro do cárcere, a Susipe não visa – a priori – execução de transferências. A superintendência está acompanhando em tempo real todo o movimento da massa carcerária”, informou a Superintendência em seu site.

Acerto de contas

A Susipe informou que, por volta das 7h, presos da CCA, que estavam no Bloco A, invadiram o anexo vizinho, onde estavam internos do CV. Ato contínuo, as celas foram trancadas e incendiadas, provocando a morte por asfixia de parte das 57 vítimas. O órgão ainda não concluiu a perícia no local para precisar a cronologia dos fatos e nem mesmo a identificação dos cadáveres.

“Foi um ato dirigido. Os presos chegaram a fazer dois agentes reféns, mas logo foram libertados, porque o objetivo era mostrar que se tratava de um acerto de contas entre as duas facções, e não um protesto ou rebelião dirigido ao sistema prisional“, afirmou Jarbas Vasconcelos, secretário de Segurança Pública do Pará.

Em seu site, a Susipe informou que os presos identificados como responsáveis pelo confronto serão transferidos para presídios federais.

A cúpula da Segurança Pública do Pará está em Altamira para acompanhar a situação no Centro de Recuperação Regional.

*Com informações de Brasil de Fato e Brasil 247

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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