DEMOCRACIA

Bombeiro é ameaçado de morte por policiais após mediar conflito durante protesto em Natal

O cabo do Corpo de Bombeiros Dalchem Viana foi ameaçado de morte por policiais após tentar mediar um conflito em frente a sede do PSL, nesta quinta-feira (30), durante as manifestações em defesa da Educação em Natal.

Assim que os manifestantes passaram pela sede do Partido do presidente da República Jair Bolsonaro, na avenida Salgado Filho, um grupo de seis jovens ligados ao PSL passou a provocar os estudantes e professores se valendo da proteção da Polícia Militar que acompanhava de perto a movimentação.

Houve um princípio de confronto entre os bolsonaristas e um manifestante que segurava uma bandeira do movimento anarquista. Um vídeo amador gravado pela câmara do celular de um dos manifestantes mostra o momento em que os bolsonaristas partem para o confronto.

Um policial militar interveio jogando spray de pimenta nos manifestantes.

Dalchem Viana atuou para acalmar os ânimos e a manifestação seguiu. Após o ocorrido, e como o cabo do CBM apareceu nas imagens exibidas pelo telejornal da InterTV Cabugi, ele passou a ser ameaçado de morte por colegas policiais também simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro. As ameaças chegaram através de grupos de whatsaap.

Blogs do interior do estado, famosos por divulgarem fake news, também passaram a atacar Viana com informações falsas, prática comum do bolsonarismo.

Dalchem é um dos líderes no Rio Grande do Norte do movimento Policiais Antifascismo, que luta pela humanização da polícia e o reconhecimentos dos operações de segurança pública como trabalhadores.

Ele informou que vai tomar as providências judiciais sobre as ameaças.

 “Dalchem foi um grande mediador, poderia ter acontecido coisa pior”, diz coronel da PM

A coronel da Polícia Militar Margarida Brandão elogiou a postura do cabo Dalchem Viana na mediação do conflito entre manifestantes em defesa da educação e simpatizantes de Jair Bolsonaro ligados ao PSL.

Ela afirmou que presenciou a atuação do bombeiro no momento em que os jovens que saíram da sede do PSL começaram a insultar estudantes e professores participavam do protesto:

– Quando cheguei no momento do tumulto, o cabo Dalchem estava afastando os alunos dos outros jovens que estavam dentro do Partido (PSL) insultando, xingando os estudantes que participavam do protesto. Os manifestantes não fizeram nada com a polícia militar. Quem começou os insultos foram os jovens do PSL. E o cabo Dalchem tentou a acalmar, há vídeos que mostram isso. Naquele momento ele foi um grande mediador, poderia ter acontecido coisa pior”, disse.

Policiais Antifascistas divulgam nota de repúdio contra agressões ao movimento

O movimento Policiais Antifascismo divulgou nota de repúdio às ameaças de morte feitas por policiais contra o cabo do CBM Dalchem Viana após as manifestações em defesa da Educação, em 30 de maio. Confira nota na íntegra:

Ontem, dia 30, por ocasião das manifestações contra os cortes da educação centenas de membros dos policiais antifascismos saíram às ruas em todo Brasil, somando-se ao povo nessa luta justa. No Rio Grande do Norte não foi diferente, o movimento uniu-se ao coletivo de trabalhadores e estudantes que lotaram à Av. Salgado Filho, em Natal/RN, ocorre que ao passar pela sede do PSL local, cerca de seis apoiadores de Bolsonaro saíram em direção aos manifestantes e começaram a chamar para briga milhares de pessoas do manifesto, conforme vídeo. Nesse ínterim o Cabo BM Dalchem, notando o conflito, tentou mediar a situação acalmando os ânimos de ambos os lados e evitando que alguém porventura saísse machucado, principalmente os colegas policiais militares, que inclusive estavam sem capacete, o que os deixavam expostos. A mediação foi bem sucedida e felizmente não houve casos de ferimentos graves.

No entanto, numa atitude covarde grupos de policiais ligados a determinados partidos políticos de extrema direita começaram a espalhar Fake News nos grupos de Whatsapp afirmando que o Cabo, membro do nosso movimento, estava em um grupo que atirou pedras na polícia. Trata-se de duas “Fakes News”: a primeira e mais grave delas é que o Cabo bombeiro militar que estava atuando no sentido de evitar qualquer agressão, inclusive aos policiais que estavam trabalhando, estaria incitando os grupos, o que em nada condiz com os fatos. A segunda diz respeito ao fato de que as agressões por parte de alguns manifestantes se dirigiam aos policiais, quando na verdade elas foram voltadas aos apoiadores de Bolsonaro que se colocaram por trás dos policiais.

É nítida a intenção de alguns militares a mando de alguns políticos de caluniar o Cabo BM Dalchem, no sentido de fazer com ele o que fizeram com o saudoso companheiro Figueiredo, que constantemente vinha sendo ameaçado de morte por “colegas”, fatos que estão sob investigação em inquérito que apura sua morte.
Por tudo isso, o movimento nacional de policiais antifascismo repudia as ameaças de morte sofridas pelo CB BM que agora chegam aos montes através de “prints” de grupos de Whatsapp de policiais, ao tempo que deixamos claro que o Cabo não está só, todas as providências legais serão tomadas e deixamos claro que temos um pacto de autoproteção, somos cerca de mil policiais no Brasil e estamos em quase todos os batalhões e especializadas no RN, não nos intimidaremos e não daremos nem um passo atrás.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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