OPINIÃO

BraZil: um país assombrado pelo passado

Ontem, 25 de agosto, completou exatos 60 anos da renúncia do então presidente Jânio Quadros, aprofundando o ambiente de instabilidade política, embora quando se fala em “estabilidade” na política brasileira, estamos falando de períodos pré-64, muito pequenos. Basta lembrar que em 1945 ocorreu um Golpe aparentemente para consolidar a redemocratização do país e nos anos seguintes, embora com respiros de democracia (liberal), a política brasileira esteve num ambiente de tensão que permaneceu latente nos mandatos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek.

Essa data precisa ser lembrada, infelizmente, para mantermos nossa atenção máxima para as velhas vivandeiras golpistas, que evocam os mesmos fantasmas do passado e como a ordem democrática foi rompida em abril de 2016 e não mais foi retomada, eles se alimentaram desse desordenamento e apoiados numa onda conservadora mundial, que aportou no BraZil e aqui encontrou farto material para sua propagação.

Bolsonaro, que representa o elemento mais radical desse movimento, está no poder. Tem os recursos e tem uma aguerrida militância, movida a delírios é verdade, mas recheada de recursos financeiros vindos do empresariado e tem um foco : tomar o poder e estabelecer o regime do “milicianato”, regime que teria no topo milicianos e toda sua derivação nefasta.

Se os jornais mais identificados com setores mais conservadores, como a Folha de São Paulo, o Estadão e O Globo, só para citar aos maiores, estão alertando o país para uma provável tentativa de tomada de poder pela força, partindo da horda bolsonarista, em especial setores das polícias militares, junto com pastores evangélicos, alguns representantes do agronegócio e uma pequena quantidade de músicos decadentes.

Por todos os lados há sinais claríssimos de que Bolsonaro deu o sinal verde para essa “quartelada”, escolhendo o 7 de setembro, uma data simbólica, para ir ao limite do chafurdo, pois resta claro, pelo menos até agora, que esses marginais não têm força, inclusive militar, para uma tomada de poder no estilo clássico, mas está tendo força para provocar um caos institucional, que daria espaço para o Mandrião manter a chama da insurreição acesa.

Na verdade, na minha opinião, Bolsonaro está, apesar do que muito se diz, conseguindo atrair para si, novamente, o protagonismo da luta política, parecendo que a oposição não consegue neutralizar o instinto golpista dessa caterva ignorante, e vive a reagir às sandices desse destrambelhado que, infelizmente, está conduzindo o país não mais à beira do abismo, mas ladeira abaixo.

Mas há movimentos contrários aos que babam pela instalação de uma ditadura nesse país. Segmentos da sociedade civil organizada já se pronunciam e certamente os bastidores estão fervendo. Não devemos nos enganar com a superfície do lago, mesmo estando com águas turbulentas. Abaixo da superfície há movimentos de toda ordem para evitar essa tragédia política que se somaria a nossa tragédia social (quase 600 mil mortes) e civilizatória (ascensão do fascismo tupiniquim).

Até o dia 7 de setembro muita coisa vai ser dita, ou não dita; muitos sinais serão dados, ou não serão dados; muitos fatos nos darão pistas do que virá a acontecer.

Porém não deixa de ser grotesco, para um país que passou 21 anos numa ditadura militar-civil, voltar a prestar atenção no que ocorre dentro das forças armadas; de ter receio das polícias militares; de ser assombrado por milícias mafiosas; de ver a possibilidade de termos uma invasão do parlamento e do STF, por hordas ensandecidas.

Esse é um país que ia para frente.

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