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Cabeça de porco deixada em cemitério atormenta moradores de São José de Mipibu

Nem a Copa do Mundo, a violência urbana ou os festejos juninos foram suficientes para desviar a atenção dos moradores de São José de Mipibu do mais novo mistério da região: uma cabeça de porco deixada em frente ao portão do cemitério da cidade, nesta segunda-feira (18), vem atormentando a população local.

O que despertou a curiosidade geral no município do Rio Grande do Norte, distante 37 quilômetros de Natal, não foi apenas a cabeça do suíno. Com ela veio toda a crendice, ceticismo e superstição do povo da região. O fato inusitado gerou uma investigação coletiva via redes sociais que deixou muita gente acordada até mais tarde, ou talvez sem dormir.

A Agência Saiba Mais escalou o repórter Cláudio Oliveira, morador do município, para ouvir a população local e contar essa história. Como as testemunhas não quiseram se identificar, os nomes serão omitidos durante o relato. O que se viu foi uma avalanche de desinformação e preconceito.

No início da noite, por volta das 18h30, uma mulher desconhecida parou em frente ao portão do cemitério, localizado numa das praças do centro da cidade, balançou-o três vezes e foi embora deixando um embrulho para trás. Curiosas, as pessoas que estavam na praça não reconheceram a moça e foram investigar o material deixado no portão. Era uma cabeça de porco, envolvida em farofa, velas pretas e vermelhas.

Em outros tempos, muita gente temeria chegar perto do despacho. Mas os tempos mudaram, as pessoas queriam respostas e foi pela internet que o debate aconteceu com maior intensidade. O que era aquilo? Por que foi deixado ali? Num ímpeto, curiosos mexeram para ver o que tinha no interior da cabeça decepada do suíno. E logo encontraram a foto de um jovem casal.

Cabeça de porco deixada por mulher desconhecida

Pelas redes sociais, a notícia passou a circular rapidamente feito rastilho de pólvora, extrapolando os limites geográficos da cidade de aproximadamente 40 mil habitantes. Quem passava pelo local se aglomerava na praça para conferir a “encomenda” abandonada. Uns faziam perguntas, outros davam respostas, quem fez fotos compartilhou. Havia quem tirasse sarro da situação e os que preferiam recorrer à proteção divina e às orações. Houve até quem sugerisse consumir a iguaria mais tarde com cachaça.

Em meio às discussões, links com vídeos de rituais em que são usadas cabeças de porco eram compartilhados, numa tentativa macabra de contextualizar a iniciativa da mulher desconhecida que abandonou a suposta oferenda mexendo com o imaginário do povo.

Entre as religiões de matrizes africanas, o candomblé é quem costuma sacrificar animais. Ainda assim não é possível identificar se o despacho está ligado a algum ritual religioso.

A cada descoberta, mais perguntas surgiam. Quem era a moça e o rapaz da foto? Era algum feitiço para mantê-los juntos? Ou para separá-los? Feito por um deles ou por terceiros?

Em poucos instantes, com a notícia e as imagens circulando na velocidade da internet, identificaram o perfil da moça da foto em uma rede social, onde estava postada a mesma imagem deixada em frente ao cemitério junto à cabeça do porco. Começou a circular também a informação de que os jovens da foto eram de cidades vizinhas. Quem passava pelo local se aglomerava para conferir o ocorrido.

Mas foi um bilhete, também encontrado junto à cabeça, que levantou mais dúvidas. Com erros ortográficos – imediatamente identificados pelos usuários das redes sociais – estava escrito duas vezes o nome de um conhecido bar da cidade, seguido dos dizeres “de corpo e auma (alma)”, além do nome completo de um homem.

Ao longo da noite o assunto foi amplamente compartilhado entre os moradores. Alguns entusiasmados fizeram brincadeiras com a situação, outros mais reprimidos acreditaram que se tratava de feitiço perigoso. Algumas testemunhas passaram a acusar proprietários de dois bares concorrentes da cidade.

A mídia local, obviamente, não ficou de fora e registrou o fato que também foi publicado em páginas de outras cidades.

No final das contas, ainda não se sabe se o suposto despacho manteve ou manterá o casal junto. Não se descobriu a relação com o bar mencionado no bilhete, mas certamente o assunto continuará sendo discutido por algum tempo.

Até o amanhecer desta terça-feira (19), antes do portão do cemitério ser aberto, a cabeça do porco continuava no mesmo local. E quem passava ainda parava para conferir o novo fato já marcado como a mais nova lenda – para uns divertida, para outros, macabra – da cidade de São José de Mipibu.

 

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