CIDADANIA

Câmara de Vereadores vota comenda Marielle Franco em homenagem a ativistas de Direitos Humanos em Natal

A Câmara Municipal de Natal vota nesta quarta-feira (17) a criação da comenda Marielle Franco para homenagear mulheres com destaque na área de Direitos Humanos. O projeto é de autoria do vereadora Raniere Barbosa (Avante) e foi subscrito pela vereadora Divaneide Basílio (PT).

Cada vereador terá direito à escolher uma homenageada por ano. A comenda será entregue dia 14 de março, data da execução da vereadora do PSOL no Rio de Janeiro. O crime que chocou o Brasil e repercutiu no mundo completou 1 ano em março. A polícia conseguiu prender os suspeitos de executarem a parlamentar, mas ainda não encontrou os mandantes do crime.

O PL chegou a entrar em pauta terça-feira, mas a bancada conservadora da Casa liderada pelo vereador Cícero Martins (PSL) manobrou para que o texto não fosse votado. A obstrução temporária, no entanto, ajudou os parlamentares favoráveis à criação da comenda porque conseguiram mobilizar movimentos sociais a acompanharem a sessão.

Por outro lado, militantes do Movimento Brasil Livre (MBL) também devem protestar contra a honraria.

Para a vereadora Divaneide Basílio, a homenagem à vereadora Marielle Franco é justa porque a parlamentar do PSOL é um marco na luta pelos Direitos Humanos do país:

– A comenda Marielle Franco reflete o que significa Marielle Franco para todas nós. Na verdade, somos muitas Marielles, isso é o que temos dito em todos os lugares. Marielle é um marco porque marca nossa identidade múltipla em todas as cidades. Marielle não é de um lugar, mas de todos o lugares. Essa é a grande dimensão que queremos dar para quem defende direitos humanos de forma integral, para quem é contra a LGBTfobia, para quem é contra o feminicídio, para quem é contra as várias violações de direitos contra criança e adolescente, para quem defende todos os dias os trabalhadores e as trabalhadoras, para quem defende a saúde mental… então a gente está dizendo que pensamos a construção de uma sociedade harmônica e equilibrada que possa olhar para as pessoas não como números. Que se importe com a vida de negros nas periferias, que se importe como negros morrem nas periferias por armas de fogo. As muitas Marielles defendem pessoas que moram em áreas de risco, as muitas Marielles defendem policiais que lutam todos os dias para que a sociedade seja menos violenta, que lutam pela humanidade no parto. É uma comenda para homenagear e respeitar as mulheres de luta que estão no cotidiano dando conta de segurar suas famílias, de serem viúvas porque seus maridos negros morreram nas periferias, dando conta de até quatro jornadas de trabalho. Então não dá para não homenagear essas mulheres e não dá para não colocar o nome de quem lutou tanto pela dignidade humana das mulheres em todo os lugares, não só no Rio Grande do Norte, mas em todo o canto. Estamos falando de empatia e sororidade.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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