OPINIÃO

Campanha para prefeito de Natal em 2020 passa por Fátima Bezerra

Nem bem começou 2019, e já se discute as eleições municipais de 2020, como era previsível. O mundo político pensa sempre à frente e mal o resultado das urnas de um pleito é divulgado o tabuleiro de xadrez da eleição seguinte dois anos depois começa a ser montado.

Neste ano, o quadro não foi diferente. O curioso é perceber que, mais do que em anos e inícios de governos estaduais anteriores, a eleição para a Prefeitura de Natal, capital e maior colégio eleitoral do RN, passará obrigatoriamente pela pessoa e pelo governo de Fátima Bezerra, para o bem e para o mal.

Explica-se. Há um grupo de políticos que aposta no desgaste da governadora. E em capitalizar política-eleitoralmente tal possibilidade É o caso do deputado estadual Kelps Lima, do Solidariedade, que desde a primeira semana de janeiro critica o Governo Fátima, ignorando as regras implícitas da trégua dos 100 primeiros dias ou o armistício político até o Carnaval.

Kelps vislumbrou que dificilmente terá em 2020 os votos do eleitorado fiel do PT, portanto, resolveu desde cedo apostar no desgaste do Governo Fátima para na campanha no ano que vem ter o argumento de que foi o primeiro a perceber o problema, caso o Governo Fátima não vingue e tenha problemas político-administrativos.

Em caso de êxito do Governo Fátima, o argumento de Kelps sairá ileso, pois poderá afirmar que defendia o melhor para a população e que suas críticas tinham apenas a missão de criticar construtivamente a gestão. E poderá continuar flertando com o antipetismo, principalmente dependendo de quem for o candidato do PT.

Quanto à candidatura petista, falemos depois. Vamos agora à candidatura natural à reeleição do prefeito Álvaro Dias, do MDB.

Pouco conhecido em Natal, tendo carreira política em Caicó, foi alçado a prefeito por ser vice de Carlos Eduardo Alves em 2016 e este ter renunciado em abril de 2018 para tentar o Governo do estado (tendo perdido justamente para Fátima). Álvaro é político de pouco carisma e consciente que tem pouco peso em Natal e decidiu a partir de janeiro reverter este quadro. Uma das formas foi manter os acertos do Carnaval realizado nas gestões Carlos, inclusive melhorando alguns pontos. E também resolveu investir em áreas de cultura e boemia esquecidas pelo poder público, como o Centro Histórico de Natal

Mas, chamou a atenção de muita gente o fato de Álvaro ter “colado” em Fátima Bezerra no Carnaval. O alcaide natalense aproveitou a aceitação da governadora, acostumada a transitar em eventos culturais-populares, e “pegou carona” com ela em diversos eventos.

Pode ser apenas educação entre poderes durante a folia, claro. Mas, pode indicar também que Álvaro, que se distanciou de Carlos Eduardo, aceita dialogar com Fátima e o PT ou na menos das hipóteses que não pretende encarar a governadora como inimiga durante a campanha.

Claro que, em uma reviravolta, em caso de desgaste do Governo Fátima o MDB de Álvaro e o PDT de Carlos Eduardo podem se unir novamente e trabalhar uma pauta anti-Fátima e antiPT na campanha.

E há ainda o PT, partido de Fátima. Se a governadora chegar à campanha do ano que vem com bons índices de aprovação e a folha de pagamento em dia (incluindo as folhas que Robinson Faria deixou) é certo que uma candidatura apoiada por ela será extremamente competitiva. E, a preço de hoje, o PT largaria com três bons nomes para disputar a Prefeitura: Natália Bonavides, Alexandre Motta e Fernando Mineiro.

Deputada federal (segunda mais votada nessa faixa), com excelente posicionamento nas redes sociais e jovem, Natália não teria nada a perder com uma candidatura, já que não precisaria abdicar do mandato e teria ainda mais holofotes para sua curta mas exitosa carreira política. Contudo, ela própria parece não se encantar com a ideia, preferindo afirmar a interlocutores que deseja se dedicar a seu mandato.

O médico Alexandre Motta foi uma das surpresas na eleição passada, tendo 120 mil votos para o Senado. Bem situado em uma categoria tradicionalmente antipática ao petismo, Alexandre pode ser justamente o nome para penetrar em um novo eleitorado.

Por mim, temos Mineiro, terceiro mais votado para deputado federal e que não ficou com a vaga por um imbróglio jurídico-eleitoral que desconsiderou e depois considerou os votos de Kerinho Alves, de outra coligação, o que “deu” a vaga dele para Beto Rosado (PP). Por um lado Mineiro é considerado um dos políticos mais preparados do Estado, além de experiente e tendo sido bom deputado estadual. Por outro lado, foi candidato a prefeito em 2016 e 2012, amargando um terceiro lugar nas duas eleições.

O fato é que seja qual dos três (ou até mesmo uma quarta opção, dependendo da dinâmica das coisas) terá de ter apoio total de Fátima Bezerra para chegar à Prefeitura. Apesar do PT ser conhecido pelas decisões partidárias tomadas em coletivo, é lícito pensar que Fátima terá direito a ser uma voz de peso na escolha do candidato do próprio partido. Enfim, a certeza que se tem é que a campanha do ano passará necessariamente pela pessoa e pela administração de Fátima Bezerra.

 

 

 

 

 

Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *