OPINIÃO

Campanha política, uma piada ?

Recomeçam os jogos e, mesmo com (e apesar de) pandemia, as campanhas políticas para eleição de prefeituras e câmaras municipais outra vez estão aí. Prepare-se e tome enxurrada de prefeito e vereador pra você!

E, claro, não tem jeito, nem que você seja um eremita, será bombardeado de promessas de uma cidade ideal. As tecnologias e redes sociais convêm e, além daqueles que sempre têm uma opinião formada sobre tudo para dizer, vem aí mais uma avalanche de candidat@ que, tanto tempo ausente, subitamente se faz – incomodamente – presente.

O que fazer diante de um mundo de culto ao espetáculo? Mundinho assim desses, tipo este país do conchavo e da chapa montada no típico jeitinho brasileiro, país de golpe, país de corrupção há longo tempo estruturada? E, mais do que nunca, corrupção política negada e ocultada.

Eu, na minha pequena condição, vou insistir em rir pra não chorar. Decido, assim, catar exemplos do que há de risível nesse campo político e partidário (supostamente) democrático. Se rir é exercício de raciocínio e de poder, vou lembrar aos possíveis incautos leitores que aqui se trata menos de crença do que de problematização. Vou buscar, então, uns casos para se questionar este pequeno vasto mundo – a eleição, neste Brasil de agora, discursivizada pelo humor.

Os casos que tenho visto representam recorrentemente uma visão de humor como rebaixamento, isto é: o que faz rir é baixo, no sentido de inferior e não ideal, aquilo que se atrela à raiz de ridículo. O humor, que se marca pelo entrechoque de visões de mundo, apresenta assim um embate entre a política dita, a oficial, a mais ideal e desejável (políticos compromissados, atentos ao bem-estar coletivo, éticos, incorruptíveis etc.) e a política não-dita (ou maldita), extra-oficial, a mais real e típica (políticos descompromissados, com seus interesses escusos e particulares, como caixa 2 e rachadinhas etc.).

A cada temporada, surge sempre um candidato que assume francamente seu ethos risível exatamente como estratégia visando ao voto. Quem não conhece o já clássico Dagô, eleito com o jargão “me ajude!”, a escrachar com qualquer pretensa seriedade? E quem vai esquecer o mais emblemático de todos, o palhaço Tiririca, que se projetou ao posto de deputado federal com o slogan “pior do que tá não fica”?

Ficou pior, sim. E continua péssimo.

O humor, na sua relação com a História, manifesta dois tipos de acontecimentos: um acontecimento discursivo, em sentido mais estrito, em que o texto humorístico (como a charge acima) ilustra um posicionamento relacionado a um fato preciso, temporalmente localizado. É o que se vê também nos exemplos a seguir, que remetem tanto às eleições e período de campanha como também ao modismo do Facebook de criar uma versão de si em desenho, o chamado “avatar”:

Há também outro tipo de acontecimento com o qual o humor pode se relacionar, o chamado arqueológico, em que há referências culturais e históricas mais “cristalizadas” e “generalizadas” ao longo do tempo, como por exemplo o uso de estereótipos. Pode ser desde a representação da mulher “megera” candidata que obriga o marido “manicaca” a promover a candidatura da esposa ou até mesmo o próprio candidato “sincero e objetivo” que só deseja mesmo ser eleito, como ilustra o vídeo a seguir, em que um certo candidato de Mossoró se reduz a dizer que quer voto e ordenar que se vote nele:

 

De tempos em tempos, esses acontecimentos são reatualizados e nos encontramos novamente como em um circo. O humorista Don Rossé Cavaca, pseudônimo de José Martins de Araújo Júnior (1924-1965), por exemplo, já dizia, a respeito de candidatos em épocas de disputa eleitoral:

Acredito na sua honestidade, mas a quadrilha já está formada.

Quer coisa mais atual?

Sigamos. Acreditemos que o voto pode fazer a diferença.

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