TRANSPARÊNCIA

Canastra Real: Augusto Viveiros e mais oito servidores da ALRN viram réus

A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual e tornou réus nove servidores da Assembleia Legislativa acusados de participar de esquema que teria desviado R$ 2,4 milhões, a partir de 2015, envolvendo funcionários fantasmas recrutados pela então chefe de Gabinete da Presidência Ana Augusta Simas. Entre os réus está o ex-deputado federal e atual secretário-geral da ALRN Augusto Viveiros. A ação penal é oriunda da operação Canastra Real realizada em setembro pelo MP.

Augusto Viveiros é acusado de ter falsificado seis declarações de domicílio dos servidores indicados pelo grupo e por integrar organização criminosa. Já Ana Augusta Simas, além da organização criminosa, responde por peculato, que é o crime de desvio de dinheiro cometido por servidor público.

Além de Augusto Viveiros e Ana Augusta Simas, são réus no processo Paulo Henrique Fonseca de Moura, Ivaniecia Varela Lopes, Jorge Roberto da Silva, Jalmir de Souza Silva, Karla Ruama Freire de Lima, Fabiana Carla Bernardino da Silva e Kerginaldo Braz de Lima.

Segundo as investigações do MPRN, o esquema fraudulento foi iniciado em 2015 e tem como principal integrante a ex-chefe de Gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa, Ana Augusta Simas, exonerada do cargo após a deflagração da  operação. Para o MPRN, Ana Augusta ocupava posição de controle ao indicar pessoas para ocupar cargos na Casa. Para isso, a ex-chefe de Gabinete forneceu o próprio endereço residencial para constar nos assentos funcionais e nos cadastros bancários dos servidores fantasmas por ela indicados.

 – A investigação verificou que todos os servidores fantasmas indicados pelo grupo possuem movimentações financeiras atípicas, recebendo mensalmente a importância líquida aproximada de R$ 13 mil. Logo após o depósito dos valores nas contas bancárias, as quantias eram integralmente sacadas. Essa movimentação financeira das contas bancárias, todas com saques padronizados, de valores idênticos, revela que os titulares não possuíam o controle de suas próprias contas.

Declaração divulgada pelo MP. Na verdade, Karla Ruama mora no município de Espírito Santo

Os promotores defendem que o material encontrado reúne provas inegáveis da prática do crime:

– Uma planilha apreendida na casa de Ana Augusta Simas no dia em que a operação foi deflagrada, além de recibos de saque dos salários e recibos de imposto de renda dos funcionários fantasmas por ela indicados são provas irrefutáveis do desvio do dinheiro, pois eles permaneciam apenas com uma ínfima fração do salário por mês, somente a quantia de R$ 500, enquanto que todo restante do salário era desviado em favor da ex-chefe de Gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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