TRANSPARÊNCIA

Candidato à reeleição, Álvaro Dias negou reajuste do piso e ignora Dia do Professor em redes sociais

Os professores da rede municipal de ensino foram ignorados nesse 15 de outubro, Dia do Professor, pelo atual prefeito de Natal e candidato à reeleição, Álvaro Dias. O candidato não fez qualquer menção à data até a tarde desta quinta (15) em suas redes sociais. Além disso, Álvaro Dias também já tinha negado o reajuste anual do piso da categoria. Em setembro, a Procuradoria Geral do Município emitiu parecer recomendando ao prefeito que não concedesse qualquer reajuste salarial por causa das restrições impostas pelo ano eleitoral. Mas, segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Rio Grande do Norte (Sinte/ RN), a proposta de reajuste já estava na mesa de negociação desde dezembro de 2019.

A prefeitura de Natal não se empenhou em pagar a atualização salarial. Demorou muito pra negociar e esperou chegar o período eleitoral pra alegar impedimento legal, quando esse impedimento não existe. Na verdade, não há disposição do prefeito em pagar”, critica Bruno Vital, professor e Coordenador Geral do Sinte/RN

No mês de janeiro, o Ministério da Educação reajustou o piso dos professores em 12,84% e tanto Estados, quanto municípios precisam fazer o mesmo. A Governadora Fátima Bezerra fechou, em maio, acordo com a categoria para pagar o reajuste de forma parcelada, mas com a Prefeitura de Natal a negociação não avançou.

Proposta ousada

Nesta quinta, a candidata Rosália, que concorre à Prefeitura de Natal pelo PSTU, fez uma proposta ousada. A de reduzir o salário do prefeito, do vice-prefeito e de vereadores para que os políticos recebam o mesmo salário que um professor municipal.

Salário dos políticos:

Prefeito de Natal: R$20 mil

Vereadores da Câmara Municipal de Natal: R$17 mil

Desafios da pandemia

Com as aulas em formato remoto, muitos professores tiveram que se adaptar e aprender a usar ferramentas tecnológicas em um curto espaço de tempo. Para os profissionais, a mudança repentina resultou em sobrecarga de trabalho e endividamento para aquisição de alguns equipamentos.

Os professores foram cobrados a aprender a lidar com ferramentas que não conheciam e a aderir a um modelo de ensino que oferece muitas dificuldades de retorno por parte dos estudantes, especialmente da escola pública. Além de acumular novos trabalhos, novos custos para esse trabalho, os professores têm estado mais ansiosos, já que se sentem responsáveis pela aprendizagem e estão vendo a evasão crescendo e o retorno difícil do trabalho realizado. Apesar desses esforços, a pandemia não trouxe maior valorização, já que os salários dos profissionais foram congelados em troca da ajuda aos Estados, bem como gestores se valeram da pandemia para não realizar a atualização salarial este ano”, avalia Bruno Vital.

 A categoria também se mostra preocupada com a distância entre a escola pública e privada. Apesar da preocupação da formação cidadã, as escolas públicas vêm sofrendo com a redução de recursos para a educação.

“A pandemia trouxe para as famílias a complexidade do trabalho do professor. Tornou claro que ensinar não é uma tarefa para qualquer pessoa fazer, mas uma atividade profissional, que exige formação e compromisso. Ao mesmo tempo, a pandemia tornou ainda mais claro o abismo entre as redes pública e particular”, avalia o Coordenador Geral do Sinte/ RN.

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