DEMOCRACIA

Capitão Styvenson surfa na antipolítica e quer ser exército de um homem só

O capitão Styvenson Valentim escolheu o pior caminho para começar na política.

Em vez de agregar, opta pelo isolamento.

Em entrevista concedida ao jornalista Saulo Vale, da rádio rural de Mossoró, o policial militar tentou surfar na onda de descrédito dos eleitores com o cenário político do país.

A estratégia pode até funcionar para ganhar a eleição, mas reforça a tese de que o personagem que Styvenson criou para si é fake.

Surfar na onda da antipolítica, aproveitando o vento a favor da opinião pública, é sobretudo uma estratégia política.

Na entrevista em Mossoró, Styvenson afirmou que não vai apoiar nenhum nome para o Governo do Estado nem vai admitir interferência na escolha do seu suplente.

Ele afirmou que esses são pré-requisitos para se integrar a alguma sigla partidária e que não abrirá mão dessas posições:

“Eu não externo preferência porque o voto é secreto. Não quero induzir alguém a um pensamento indutivo meu”, afirmou.

Por ser militar da ativa, Styvenson não precisou se filiar no prazo eleitoral dos demais candidatos, mas precisa decidir até o dia 5.

E deveria saber que ninguém faz política sozinho.

Na mais recente pesquisa do Instituto Ibope, divulgada sábado (21), Styvenson aparece em 3º lugar, com 19% das intenções de voto, mesmo sem fazer campanha.

O pedido de inclusão do nome dele na pesquisa foi feito pelo Solidariedade, presidido no RN pelo deputado estadual Kelps Lima, mas até o momento não há um acerto formal para o ingresso de Styvenson na sigla.

Eleito senador, o capitão vai precisar do apoio dos colegas se quiser realizar um mandato para além dos discursos moralistas que faz em Natal, desde que ganhou fama nacional ao coordenar as blitzen da lei seca no Estado.

Por melhor que seja o projeto de lei eventualmente criado por ele, Styvenson não vai conseguir aprová-lo apenas com o próprio voto.

Também vai precisar do próximo governador ou governadora, além de prefeitos de vários partidos para implementar as emendas que enviar para o Estado.

Ainda que o clamor popular diga o contrário, criminalizar a política não é o caminho.

Aliás, o discurso da antipolítica vem sendo usado à exaustão por Jair Bolsonaro (PSL), ex-capitão do Exército e candidato à presidência da República, que foi pego recebendo auxílio-moradia mesmo sendo dono de um imóvel em Brasília bancado pelo povo.

Seriam os políticos adeptos da antipolítica todos farinha do mesmo saco ?

Não parece ser o caso de Styvenson. Mas de todo o modo, o capitão precisará provar que não.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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