ENTREVISTA

Carlos Eduardo Alves: “Nossa aliança (para o Governo) vai ser com a direita”

prefeito Carlos Eduardo Alves será candidato ao Governo do Estado

O prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) já fala como pré-candidato ao Governo do Estado às eleições de outubro. Segundo ele, falta apenas o diretório nacional do PDT confirmar que assume os custos com o marketing e a produtora que serão contratados para a campanha. As articulações com o MDB e o DEM também estão adiantadas para a composição da chapa. Ele não garante as candidaturas de Garibaldi Alves (MDB) e José Agripino Alves (DEM) ao Senado, mas confirma que os dois Partidos é que irão indicar os nomes que subirão com ele no palanque.

A Agência Saiba Mais conversou com o prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) na manhã desta quarta-feira (28) durante o lançamento de um aplicativo pela secretaria municipal de Transporte e Trânsito Urbano (STTU) no qual os motoristas poderão acompanhar o trânsito da cidade pelo telefone celular.

Nesta entrevista exclusiva, Carlos Eduardo Alves fala sobre as expectativas para as eleições, as alianças, o acerto com o vice Álvaro Dias que deve assumir a prefeitura a partir de 8 de abril e as últimas pesquisas de intenção de voto, que o colocam em 2º lugar, atrás da senadora Fátima Bezerra (PT).

 

Agência Saiba Mais: Em 2012, numa entrevista para a revista Palumbo, o senhor me disse que o sonho de todo o político é governar seu Estado. O senhor é candidato ao Governo ?

Carlos Eduardo Alves: Tudo caminha por isso. Mas ainda não posso ser afirmativo porque, com toda franqueza, ainda não decidi. Ainda estou realizando consultas, ainda preciso ouvir o diretório nacional do partido. Porque sem o apoio do diretório nacional não tenho condições de ser candidato. Mas tenho um prazo e acredito que antes do prazo legal, na próxima semana, terei elementos para tomar uma decisão.

 

A imprensa divulgou que o senhor anunciaria dia 5 de abril…

Reivindiquei que o diretório nacional assumisse a publicidade, marketing e a produtora, que representa 70% da campanha. Em 30 anos de vida pública não tenho processos de improbidade, nunca tive problemas com o Judiciário, nada. Evidentemente um processo ou outro, mas sempre absolvido. Não tenho nada e a gente tem que preservar isso. E o partido está sinalizando, ainda não respondeu. E a sinalização é de que o partido vai realmente dar essa contribuição.

 

Pelo que o senhor está falando, sua decisão, então, depende dos recursos financeiros. Porque a decisão política já está tomada….

Depende do apoio do diretório nacional. Quando você fala que depende de recursos… depende mesmo do apoio do diretório nacional. E o diretório nacional dando o respaldo…

 

O que muda do Carlos Eduardo de 2010, candidato ao Governo que ficou em terceiro lugar, para o Carlos Eduardo de 2018, que vai disputar o Governo novamente ?

 O sonhador é o mesmo. Eu estava em 2010 realmente preparado. Tinha saído de uma experiência, administrando o segundo orçamento do Rio Grande do Norte, saí com grande aprovação e achei que naquele momento eu poderia sim ser um bom governador. Por isso eu fui candidato. Mas para ser candidato nós enfrentamos tudo: o governo federal, que na época era do PT, com outro candidato aqui, enfrentamos o governo estadual que também tinha outro candidato, enfrentamos o governo municipal de Natal, enfrentamos os partidos mais bem estruturados do Rio Grande do Norte, que eram o DEM, PMDB, PSB e o PT, nos colocamos como alternativa para o Estado, muita dificuldade. Tivemos dificuldades que achávamos que não encontraríamos, no sentido de até viabilizar a campanha. Mas apresentamos um programa, tivemos muito pouco tempo de televisão, mas o importante é que seguir a uma condição que eu tomei há 20 anos na vida pública. Rompi com o PMDB, rompi com laços familiares sob o ponto de vista político e adotei um caminho próprio. Em face disso eu segui e hoje, oito anos depois daquela experiência, continuo o mesmo. Presido um partido independente, não é caudatário de nenhum partido político, de nenhuma liderança política, somos um partido pequeno, mas um partido democrático, um partido que eu lidero e que a gente conduz para nossas alianças políticas. Esse partido tem o direito legítimo de aspirar e governar o Rio Grande do Norte. E aí não temos nenhum preconceito de alianças à esquerda e à direita. No espectro politico atual nossa aliança vai ser com a direita. A formatação, pelo espaço que encontra o momento político do Rio Grande do Norte, vamos fazer uma aliança com a direita. Já estamos bastante avançados com o PMDB e com o DEM e com outros partidos, e vamos efetivamente disputar a eleição nessa condição. Isso é o que está se desenhando, embora eu quero lhe dizer que essa decisão ocorrerá apenas no dia 6 porque eu admito ficar. Admito com toda franqueza que posso ficar ainda como prefeito de Natal.

 

Seus adversários comentam que sua indecisão até agora está muito ligada ao fato de que, ao deixar a Prefeitura, o senhor dará lugar ao vice Álvaro Dias, um político de Caicó, do PMDB, que não tem nenhuma identificação com Natal. Isso está pesando também ?

 Veja bem… isso é uma análise de quem está de fora. Eu que estou dentro quero dizer o seguinte: Álvaro, nesse período de um ano e três meses tem participado da administração, tem conhecido a administração, tem conhecimento mínimo da cidade para dar as condições dele governar. É uma pessoa que já estivemos juntos no PMDB lá atrás e depois no PDT. Foi meu vice, teve desprendimento quando a gente enfrentou todas as forças políticas poderosas do Rio Grande do Norte. Ele tinha uma mandato de reeleição garantido de deputado estadual, mas foi para a luta, assumiu riscos. Isso é importante para não ficar acomodado, com uma estrutura só pensando em se eleger e não ser audacioso no sentido de mudar o RN. E tem essa identidade comigo. Depois ele deixou o PDT e voltou para o PMDB, mas dentro de uma correção, não saiu sem conversar, dialogar, sem dizer porque estava saindo. Fiz um apelo, mas acho até que ele estava certo porque sabia que seria meu vice (risos). Então, Álvaro tem desprendimento político, está acompanhando a gestão, tem um bom entrosamento com os secretários e tenho certeza que, junto com os secretários, não vai ter um processo de continuidade, não haverá uma ruptura de descontinuidade administrativa.

 

Há conversas entre vocês para que ele mantenha sua equipe ?

Nunca pedi, mas ele mesmo, na semana passada, conversou comigo, iniciativa do próprio Álvaro, e disse “olha, prefeito, o que eu desejo mesmo é o resultado. Não adianta eu trazer secretario A, B ou C” para parar as obras da prefeitura”. Ele me disse para que não me preocupasse com isso porque que ele não pretende mudar nem o garçom do gabinete. Se as coisas estão funcionando, mesmo à duras penas pelos efeitos da crise financeira, então o que não pode é haver descontinuidade. Então ele já deu essa palavra, o que me tranquilizou, porque nós temos em curso muitos projetos, muitas obras, muitos programas. Com relação a isso eu não tenho preocupação. Minha preocupação é a viabilidade da campanha. Hoje, finalmente, até que enfim, antes tarde do que nunca, vamos acabar com aquela lambança de dinheiro irresponsavelmente gasto nas campanhas porque isso prevalecia a políticos fisiológicos que na hora faziam seus melhores negócios para ganhar a eleição. Os controles sociais cresceram, a Lava-jato está dando uma grande contribuição a isso, a moralização, a questão ética, a transparência dos recursos públicos nas campanhas, o apoio empresarial… então acho que agora (os controles) estão com muita clareza. Eu não posso, dentro da minha responsabilidade de 30 anos de vida pública, de não ter um processo de improbidade, nunca ter maculado minha vida publica, ir para um processo sem condições. Já fui enfrentando todas as dificuldades, mas diante dessa nova legislação eleitoral temos condições de partir, pelo menos, com uma segurança de que vamos ter condições de fazer.

 

A chapa completa com o senhor e os senadores Garibaldi Alves (MDB) e José Agripino Maia (DEM) está fechada ?    

Não está fechada. Os próprios senadores, quando conversaram comigo, disseram que são candidatos ao Senado naturalmente, mas não são definitivamente. Eles admitem adiante uma mudança de posição. Por isso eu não digo que está fechado. Essa é uma conversa que eu estou autorizado a dizer porque na conversa eles me disseram. Nenhum se coloca irreversivelmente como candidatos, embora estejam pleiteando, lutando para viabilizar. Não há chapa formada.

 

E se não forem eles ou um deles, quem será ? O senhor tem conversado com outros candidatos ?

Eu acho que os partidos deles, como tem representatividade… se eles não forem, os partidos farão a indicação.

 

O vice-governador Fábio Dantas, pré-candidato ao Governo, ofereceu o cargo de vice na chapa dele à primeira-dama Andreia Ramalho ?

Não, nunca houve isso. Ele me pediu audiência, disse que era candidato, eu o ouvi, está ótimo, muito obrigado pela atenção e até logo.

 

As pesquisas publicadas até o momento colocam o senhor na segunda posição, bem atrás da senadora Fátima Bezerra (PT). Em algumas, ela chega a ter três vezes mais intenções de voto que o senhor. Qual sua avaliação sobre as pesquisas até agora ?

Tenho uma experiência de campanha aqui em Natal. Já comecei atrás e ganhamos, já comecei na frente e ganhamos. Então eu acredito o seguinte: as pesquisas que eu tenho acesso, eu ganho a eleição em Natal e na Grande Natal. Quando sai desses 42% em Natal e Grande Natal eu dou uma queda porque, na realidade, eu não sou conhecido no interior. As pesquisas que me mostraram, o eleitor do interior sabe ao longe que eu sou o prefeito de Natal, a maioria não me conhece, quem é Carlos Eduardo. No Seridó, Oeste, Agreste… fui deputado estadual até 1998 e foi minha última campanha (no interior). Eu era eleito por Natal e metade dos outros votos eu ia buscar em 10, 15 municípios. E isso me elegia, mas o Rio Grande do Norte tem 167 municípios. Fui candidato em 2010 com uma campanha diminuta, tive dificuldade até de manter o marketing até o final por dificuldade de pagar. Tudo foi difícil, o financiamento. Então tive uma campanha muito tímida, Rosalba e Iberê galvanizaram o interior. O que a pesquisa mostra é que não sou conhecido no interior, mas posso me tornar conhecido no interior. O importante é que aonde me conhecem, nós ganhamos a eleição. E eu vindo a sair na próxima semana, até a convenção e na campanha, terei as condições de me apresentar no interior, nossas propostas. Acredito que vai ser diferente.

 

O senhor foi eleito no primeiro turno em 2016 e logo no início do segundo mandato começou a atrasar os salários dos servidores. Isso pode pesar na campanha ?

 Olha… passamos dez meses atrasando 30% dos salários dos servidores. Passamos pela maior crise econômica da história do país. E os efeitos muito deletérios, tanto que durante 10 meses atrasamos os salários. Mas desde novembro de 2017 estamos pagando em dia os servidores. Fizemos o ajuste fiscal. Fizemos as medidas de contenção de gastos, diminuíram a capacidade financeira de pagamento do Estado. A crise nos levou a 55% do limite fiscal e depois do TAG e medidas econômicas já descemos para 51%. Estamos no nível do limite prudencial, o que nos possibilitou controlar os nossos gastos, promover o equilíbrio e desde novembro pagamos em dia. Esse trauma do salário atrasado não existe mais. Em 2013, assumi uma cidade de cabeça pra baixo. Colapso financeiro, administrativo, na educação, saúde, na assistência social e reabilitamos Natal. Depois veio a crise nacional, que nos desorganizou de novo financeiramente. Mas provamos que soubemos enfrentar o problema.

 

Independente de quem vencer as eleições, vai assumir um Estado quebrado. Isso assusta ?

 Assusta. Mas é mais uma razão para tentar. Tenho conversado com consultorias em nível nacional e tenho conversado com alguns especialistas até porque se eu vier a tomar uma decisão de ser candidato preciso com toda responsabilidade de alguém que pode assumir um desafio e pode enfrentar e vencer o problema. O problema do Rio Grande do Norte é uma administração caótica financeira, administrativa, e vamos precisar de muita colaboração, como fizemos em 2013 trazendo a consultoria Falconi, mas a Falconi não existe mais. Se vier não ser mais um que assume e não vai cumprir os compromissos de governar bem. Estamos trabalhando bem.

 

O senhor já fala como candidato…

Tudo indica que eu saia (candidato), mas pode ser que eu fique (na prefeitura).

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"