OPINIÃO

Carlos Eduardo: silêncio e tornozeleira eleitoral

Sartre afirmava que uma das piores qualidades do humano é silenciar diante de questões polêmicas pertinentes. Para ele, o silêncio é reacionário. Quando observamos a trajetória do pré-candidato a governador, Carlos Eduardo Alves, a opção pelo silêncio é a sua marca. Podemos destacar três episódios que são paradigmáticos. O primeiro deles diz respeito ao processo de impeachment de Dilma Roussef. Seu partido, PDT, apoiou a ex-presidente, mas o ex-prefeito não explicitou sua posição no plano local. Preferiu a omissão. E, assim, reforçar o golpe, tais como seus aliados Garibaldi Alves Filho, Henrique Eduardo Alves e José Agripino Maia. Enquanto a cidade do Natal clamava por democracia em praça pública, seu prefeito retirava-se para a esfera privada da covardia política. Não fazendo jus à história de lideranças libertárias da cidade, como por exemplo, Djalma Maranhão. Aquele que inaugurou, em plena ditadura militar, um modelo de gestão democrático com a experiência freireana de educação a partir da campanha De pé no chão também se aprende a ler.

O segundo episódio refere-se às denúncias da Operação Cidade Luz do Ministério Público, envolvendo gestores e aliados seus na SEMSUR (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos). Até o presente não temos declarações incisivas no sentido da apuração, esclarecimento e penalização dos culpados. Mais uma vez o prefeito se comportou como avestruz. Como se quisesse nos fazer acreditar em algo do tipo, “isto não é comigo.” A tática do silêncio imperou perante os fatos.

Por último, destacamos o episódio que envolve seu primo e aliado – o ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves. Investigado pela Lava-Jato por receber propina das obras de construção na Arena das Dunas. Desde 03 de maio, o ex-deputado cumpria prisão domiciliar até um habeas corpus há duas semanas lhe garantir a liberdade provisória. Evidentemente que o ex-deputado passará a ser consultado e a influenciar no processo eleitoral. É fato que sua trajetória é de um quadro político de destaque do MDB local e nacional.

Henrique é aquele que simboliza a velha herança aluizista e a dos eleitores bacuraus no RN. Pois bem, não vimos nenhuma declaração do candidato Carlos Eduardo sobre as denúncias e condenação de seu familiar e aliado político nas eleições de 2018. É curiosa a omissão, pois Henrique, Agripino (acusado de corrupção) e Garibaldi darão o tom político na coordenação da campanha do ex-prefeito.

Tais episódios expressam as imagens de um político ambíguo perante questões éticas e morais e a de um político omisso perante polêmicas públicas.

Henrique será a tornozeleira eleitoral na campanha de Carlos Eduardo Alves ao Governo. Desta vez o candidato terá que se explicar. A manobra costumeira do silêncio e da omissão não funcionará.

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Alex Galeno
Alex Galeno é cientista social, professor da UFRN e escreve às terças-feiras para a agência Saiba Mais

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