OPINIÃO

Carnaval da Morte

Vivemos dias estranhos, de período de Carnaval sem Carnaval, devido à óbvia necessidade de não aglomerar em meio a uma pandemia que continua gerando mortes e internações em UTIs, e ainda apresentando no Brasil números elevados, em alguns lugares, preocupantes mesmo.

Contudo, não basta não ter Carnaval enquanto festa. Na verdade, em um país que parece se esfarelar em todos os sentidos, esta festa momesca, em meio a uma pandemia e um governo federal demente, poderá ser conhecida mais para a a frente como o Carnaval da Morte.

Os números assustam. Nesse  domingo, digamos, de Carnaval, foram registradas nas 24h anteriores 647 mortes pela Covid-19 (com evidente subnotificação), chegando ao total – nessa última atualização – de 239.294 óbitos desde o começo da pandemia. Na sexta tivemos mais de mil mortes no país. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.105 – a maior já registrada desde o início da pandemia. O recorde anterior era do dia 25 de julho de 2020 (1.097). Ou seja, nestes dias carnavalescos, os números de mortes pelo coronavírus tendem a subir. E se depender dos negacionistas que insistem em aglomerar, teremos aumento também no pós-carnaval.

Mas, não basta uma pandemia, um vírus letal e uma vacinação lenta e sabotada pelo próprio Governo. Ele próprio tem que ser assertivo em relação à necropolítica. Em plena sexta de carnaval, digamos, Bolsonaro editou quatro novos decretos que facilitam ainda mais o acesso da população à armas e amplia o limite de aquisição de munições. Os atos foram publicados em edição extra do Diário Oficial da União. Ou seja, como muita gente já postou e comentou, a preocupação do Governo não é vacinar a população, e sim, armá-la.

E só gente mal intencionada ou de ingenuidade infantil para acreditar que, de fato, uma população de “cidadãos de bem” armada irá se defender de bandidos. O que vai acontecer é aumento de número de assassinatos por motivos fúteis (como brigas em bar e no trânsito) e como bem escreveu a escritora e poeta Carmen Vasconcelos em suas redes sociais, também aumento de feminicídios, já que teremos mais homens de posse de arma de fogo em casa. Ainda que partidos tenham entrado com ações do STF para barrar os decretos de Bolsonaro, é certo que é o desejo dele de morte continua latente.

Em suma, sem vacina, com armas. É o que temos neste Carnaval. Um carnaval de nostalgia, de manutenção de isolamento e de paz interior, mas, todos conscientes de que trata-se de um período carnavalesco de mortes, com uma segunda e terça momescas de esperar se a média de óbitos supera ou não mil vítimas. E com o fantasma de uma população cada vez mais armada (imagine muita gente armada pulando o Carnaval de 2022… Pois é!).

 

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