OPINIÃO

carta em silêncio

Eveline Sin escreve às quartas-feiras na agência Saiba Mais
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o silêncio era cenário. era trilha. e canção. ia aumentando de tamanho. cada vez mais. mais. e mais. até onde nada era possível ouvir. o silêncio ganhou o tamanho das estrelas. longe. nem o olho alcançava seu fim. só o som do centro da terra sacudia a planta de nossos pés. invisível. só o som das asas de uma vespa fazia afronte às nossas pestanas imóveis. o olho não piscava. fiquei imaginando uma cidade calada. imagina. asfalto. buzina. esquina. um mar silente. a natureza. uma verdade. o fogo. uma brasa calada. aquele corpo tem uma cidade inteira calada andando entre os dedos. e nada nele é mais forte que seu som de casa vazia. cabeça encostada no tapete do mundo. eu vi o corpo e sua voz estava sob a pele. sua voz morava sobre a carne. uma camada de voz cobria toda extensão do corpo. voz entre sangue e sentido. quente. areia fina virando pérola. a chuva lá fora trazia o vento que crescia cado vôo de seu braço. cada gesto da mão arrancava fora nosso coração. revirava o peito. as pernas. cabeça. dentes. tudo era boca. um corpo costurado de bocas. será que todos os olhos estavam atentos aos momentos de sutileza? esses momentos parados no tempo. onde o instante faz eco na memória. será que todos os olhos estavam atentos à beleza? prefiro acreditar que sim.

depositamos nossas pedras no chão todas em reverência ao corpo que faz do silêncio palavra.

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para xs queridxs do slam do corpo.

(slam – campeonato de poesia)

(slam do corpo – primeiro slam de surdos e ouvintes do brasil)

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Eveline Sin é artista, poeta e grafiteira. Escreve às quartas-feiras.

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