DEMOCRACIA

Casa do Estudante ganha nome de ativista morto sob tortura pela ditadura militar

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A Casa do Estudante do Rio Grande do Norte, localizada em Natal, será chamada de Emmanoel Bezerra dos Santos em homenagem ao ex- presidente da Casa e ativista político morto sob tortura do regime militar. O Projeto de Lei de número 98/2019 foi aprovado nesta terça-feira (11) na Assembleia Legislativa do RN. O PL só contou com dois votos contrários, dos deputados Coronel Azevedo (PSL) e Getúlio Rego (DEM).

Antes da aprovação do projeto e em discussão sobre o PL, o deputado Coronel Azevedo criticou a escolha do nome sugerido pela governadora do RN Fátima Bezerra e exibiu vídeos em crítica ao socialismo. Segundo o deputado, a Casa do Estudante, que chegou a ser quartel da Polícia Militar, merecia homenagear o soldado Luiz Gonzaga, do qual exibe uma medalha que ganhou em forma de comenda.

“Venho registrar minha indignação e meu protesto pela mensagem do executivo para tratar um poder que não tem dono e transformar num instrumento de ideologia radical. É uma afronta à Polícia Militar do RN a denominação do senhor Emmanoel Bezerra dos Santos como nome da Casa do Estudante”, falou.

O deputado disse ainda que o homenageado foi morto trocando tiros com a Polícia Militar de São Paulo, diferente do que defendem os deputados que se puseram a favor do PL. Além disso, também sustentou a tese de que Emmanoel, integrante do Partido Comunista Revolucionário (PCR), queria implantar no Brasil uma “ditadura do proletariado”.

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“O senhor Emmanoel Bezerra não era mais aluno, nem estudante de nada quando foi morto. Vivia na clandestinidade, voltava de viagens internacionais. Ao contrário da forma que diz o governo do PT, ele morreu em tiroteio durante confronto com órgãos da segurança de SP, conforme atesta a própria comissão da verdade criada pelo PT.”

Na continuação do debate, o deputado Sandro Pimentel parabenizou, ironicamente, o deputado Coronel Azevedo pela coragem de defender seu ponto de vista, já que o PSL, partido dele, é favorável à ditadura em vez do pensamento livre, sobre qualquer assunto, como acontece nos moldes democráticos. O deputado também saiu em defesa de Emmanoel:

“É com alegria e muita honra poder estar nesse momento aqui nessa Casa para dar meu voto favorável a esse projeto. E vou votar com muita tranquilidade, com muita sensatez, eu que morei quatro anos na Casa do Estudante, na mesma casa que Emmanoel Bezerra morou. Um orgulho pra mim”, disse antes de emendar: “Votar para que a Casa do Estudante tenha o nome dele é parte de uma história do movimento estudantil brasileiro que não se curva à ditadura nenhuma”, continuou.

Além de Sandro, Isolda Dantas e Francisco, ambos do PT, também defenderam o novo batismo da Casa. A deputada refutou os argumentos usados pelo Coronel Azevedo a respeito da morte do ex-ativista.

“O livro da comissão da verdade foi um processo feito com seriedade, por pessoas que têm um nome a zelar. Baseada no que está dito por quem produz conhecimento e tem a obrigação de fazê-lo com zelo, Emanoel não morreu trocando tiros com a polícia, ele morreu sob tortura.”

Último a falar, o deputado Kelps Lima (Solidariedade) fez um apelo ao governo do RN sobre as instalações da Casa do Estudante.

“Façam uma homenagem à Casa do Estudante modernizando, reformando, recuperando. Essa seria uma grande homenagem. É um instrumento histórico e importante do Rio Grande do Norte e a grande homenagem que se faria seria de fato tornar o lugar o que ele já foi um dia”, disse.

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